terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Mãos

No filme a família Bélier (indicação do Evaldo Brasil), conta a história de uma família de surdos-mudos que tem uma integrante com a voz linda e vai para Paris fazer um teste de canto. (não fui á Paris ainda, mas me contentei com um vinho chileno). É uma história de descobertas de sentimentos, de entrega e de emoções gritantes, mas as mãos, ah, são com elas que se fala a língua que os surdos compreendem, e no final a moça linda canta ao mesmo tempo que traduz para os pais na platéia.


Um brinde á vida. By Sinara

Foram com as mãos que Jesus abençoaram seus discípulos, com elas se fazem curas até hoje com a imposição, mas também são as mãos o instrumento de prazer, são as mãos que curam com bisturis, elas fazem leis, superam limites e se comunicam, são com elas que se toca o instrumento mais perfeito da criação, o corpo. São com elas que as tintas e cores do imaginário se transforma em arte, poesia como as de Florbela, e pinturas como as do Van Gohg. São elas que abrem as portas e janelas pra o sol entrar, e elas não precisam ser jovens para demonstrar afeto. As mãos mais linda que conheci foram as suas.
E nas voltas que o mundo dá, o filme mostra que amar as vezes implica em abandonar o casulo, com as mãos se acena para o que ficou pra trás, e recebe o novo que vem pela frente. E da série pra sempre, as suas mãos nas minhas.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Fumacinhas engarrafadas

Existem lugares e paisagens que moram em mim, alguns aromas fazem parte daquele conjunto de potinhos de lembranças embaladas e guardadas em lugar seguro, mas as vezes eles saem por aí pra brincar, ando meio descuidada (acho que não estou tampando meus potes direito). Os cafés que foram tomados, as companhias e as risadas são sempre uma fumaça que evapora da xícara. Tem aqueles acompanhados de aflição com pernas que não param quietas, aqueles que esquentam as mãos em dias muito frios, as risadas com as amigas, são tantas que se vão nas fumacinhas engarrafadas. 


Hoje cedo depois da caminhada, pegamos as crias e fomos tomar café fora. O lugar é agradável e os meninos estranharam comer fora logo cedo, mas vamos combinar que o dia tá aí para ser vivido, vamos colher todos os frutos dele. E nas voltas que o mundo dá, um café seja ele quente ou geladinho de acordo com o dia, acompanhada ou sozinha, é uma das minhas alegrias preferidas e hoje resolvi compartilhar e criar novas fumacinhas com aroma de café para serem engarrafadas. Bom dia povo lindo.