quinta-feira, 27 de julho de 2017

Dias gelados

Dizem que no nordeste as estações se dividem em: calor, verão, mormaço e quentura. Descobri nesse inverno gelado que não sou pra feita para dias tão frios e úmidos. Parece até que os vagantes brancos estão chegando por aqui e não na muralha da Guerra dos tronos. Sinto saudade de cheiro de mar, do sol, penso até que vou mofar. Até os cães ficam quietinhos no quintal, escondidos em sua casa, os passarinhos não cantam. Definitivamente esse tá igual ao meu primeiro inverno nessa cidade gelada.
Me sinto hoje como uma borboleta cujo casulo não me cabe mais, não quero esses casacos pesados, esse músculos recolhidos, a falta de sol, parece até que faço fotossíntese, preciso dele mais que tudo. E nas voltas que o mundo dá, pode ir inverno. Deixe a primavera chegar. Já deu meu nego.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Cuidar

Certa vez Leonardo Boff escreveu: "O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro". O cuidar feminino ultrapassa as fronteiras do afeto, do querer e do fazer bem. O papel feminino sempre foi de cuidar é uma coisa quase uterina.
Dizem que hoje é o dia das avós, minha mãe foi vó e bisavó, já tenho irmãos que assim o são também, e tive o prazer de viver e conviver coma  presença da minha avó a Joana, coisa que os meus filhos foram privados. Na casa dela a gente tinha voz e vez, colo e café, biscoito de canela e razão pra tudo. Sempre gostei de ouvi suas histórias e conselhos, era idosa quando a conheci, mas tinha uma juventude no olhar e na fala que me fazem lembrar e sorrir até os dias de hoje. Sua casa de piso vermelho com ervas no quintal, fogão a lenha e a calmaria do coração que exalava pelo ar como um perfume suave, era meu refugio e de todos os primos e primas.

Joana Costa com seus 92 anos de idade

Dela, herdei a cadeira de palha em estilo clássico, uma cocha de crochê feita nessa mesma cadeira que hoje uso pra minhas leituras, gosto de lembrar de cada hora que a memória me permite guardar, e ainda acho que ela era meio alquimista, pois tinha a cura para qualquer dor da gente. E nas voltas que o mundo dá, Freud tinha razão quando disse que as avós têm um papel importante na formação de seus netos e netas. Obrigada por tudo vó.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Café

Sei que já falei do meu amor pelo café, pelo mar, pelo sol e o sal, além de outras coisinhas mais. Esses dias frios e úmidos, tem aproximado mais as pessoas, se bem que o verão, o sol também aproxima, é tudo uma questão de perspectiva. Dias desse teve uma reunião na faculdade, aquelas que acontecem no início do semestre, e aí a gente se depara com um agrado, quente e ainda recebe pra levar pra casa.


Chegando em casa, vejo que as crias se inscreveram no curso de teatro, vibrei com a iniciativa dos dois, vejo que apesar da diferença da idade agora estão tendo interesses em comum. E nas voltas que o mundo dá, um café quente aquece o corpo, uma noticia boa aquece a alma. Mas vamos combinar que já deu né inverno,? Frio demais, umidade demais, se quiser se despedir não se acanhe meu bem.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Lembrar

Dia desses na aula de inglês, o Lázaro perguntou com que celebridade a gente gostaria de conversar se tivesse a oportunidade de encontrar uma pessoa que já morreu. Eu respondi que seria Aristóteles, mas na verdade seria você. Ontem caminhando pela rua, vi um senhor de pele escura que caminhava como se pedisse licença ao vento, sorria como se visse coisas de outros mundos e me cumprimentou como se me conhecesse. Lembrei de você. Pessoa que com quem mal convivi, mas que suas histórias contadas por terceiros me fez construir uma imagem sua só pra mim. E gosto tanto dela, não sabia que a gente podia sentir saudade do que não se viveu, pois até então eu tinha saudades do que vivi e ficou pra trás, mas ontem senti saudades de você.
Lembrei que você gostava de lírios, mas eu gosto de flores vermelhas, mesmo assim comprei um quase se abrindo e o coloquei na sala pra ficar perto de você. fazendo jus aquele rapaz barbudo que diz: "A pessoas a flor da pele dê lírios"



O saramago disse certa vez que há pessoas com o coração de ferro, o dele sangrava todos os dias, pois era feito de carne e sangue. Ah, Saramago, o meu também, só que ele não é músculo involuntário, é um nervo exposto, que sente saudade até do que não viveu. E nas voltas que o mundo dá, a imagem que foi construída do meu velho ao longo de minha vida pelos irmãos e irmãs que com ele conviveram faz parte de mim e gosto muito disso. Lembranças pai.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Ideologia

Para a maioria das pessoas ideologia é uma ideal, um conjunto de ideias individuais ou coletivas. No filme Capitão fantástico, um casal resolve colocar suas ideias em prática, vão viver numa floresta, educam seus seis filhos de acordo com o pensamento naturalista, oferece uma cultura rica, as crianças aprendem línguas, culturas e tolerância, instrumentos musicais e praticam atividades físicas longe das redes sociais, além de conhecer o sistema capitalista e não apoiá-lo. É um filme lindo.
Quando a mãe adoece psicologicamente e morre o pai passa a ter suas diferenças com a família da amada, e se mostra um homem sensível e forte, exemplo para os filhos que ao poder escolher preferem ficar com ele. A cena do velório da mãe feita por eles, e a música que a filha canta, a forma que encaram a morte e o luto. São tão belas que fazem a gente repensar nosso valores atuais. Vale muito a pena ver e pensar a respeito da mensagem que o filme passa.
E nas voltas que o mundo, cada escolha tem um preço, a empatia pelo outro, a capacidade de se colocar no lugar do outro é uma das formas mais lindas de religiosidade. E como disse Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver". Bem, meu caro, eu tenho a minha. 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Amigo

Disseram que hoje é o dia do amigo. O Milton falou que amigo "É coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito". Eita, e num é que é mesmo Miltão. Tenho amigos virtuais e outros da realidade que fazem meus dias mais animados, tenho aqueles que estão distantes e que se fazem tão perto que a gente até sente o cheiro. Uma amiga irmã que foi pra longe, mas se faz muito presente. Mesmo assim, o amigo mais leal de todos, que não importa nada além de nossa presença é um rapaz jovem, que interage com todos, companheirão, o meu amigãocão Zeus.


Ele tem um porte de lord, tem nome de deus grego, a paciência de um monge e adora sentir novos cheiros quando sai pra passear, nunca está de mau humor, e cumprimenta a gente como se fosse humano. Compartilha do seu quintal com as irmãs gatas sem nenhum problema. Porém como nem tudo é perfeito, agora não tenho mais flores no quintal. Ele adora fazer buracos no chão. E nas voltas que o mundo dá, os amigos dá pra guardar no coração, mas vamos combinar né? Com eles por perto a vida fica ainda mais saborosa pra se viver. Feliz dia do amigo pra todo mundo com muitos lambeijos.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Quentura

Existem dias frios que a gente sofre um pouco aqueles sintomas de lonjura. O Djavan disse que é nesses dias que a gente tem que arrumar um bom lugar para ler um livro. Na minha cidade natal os dias frios não eram assim tããão frios, e ainda tinha a casa da avó com fogão de lenha que aquecia a cozinha, cheirinho de café torrado em casa, chá de hortelã colhido logo ali no quintal e biscoitos de canela. Dona Joana era um mulher que gostava de ver os netos e netas de barriga cheia. Eu magrela sempre ganhava mais.
Esse ano o inverno chegou castigando parece até que os ossos vão trincar, a umidade tem contribuído para que a sensação térmica fique ainda mais fria. Nesses dias eu sofro de lonjura, aquela sensação de que o tempo corre pelas mãos como a massa do pão que a gente insiste em apertar. Os chimangos, eu desisti de aprender a fazer, mas um pão de batata dá pra ser feito. Não tem fogão a lenha, mas o forno ligado ajuda a aquecer as noites frias de inverno conquistense.
E nessas noites frias, a gente abre um vinho, as crias enchem as canecas de chocolate quente e a gente se ajeita perto do forno que cozinha o pão, pra gente comer com a manteiga derretendo sobre ele. Tem aquele queijinho derretido que a casquinha crocante tem que ter pra todo mundo.
E nas voltas que o mundo dá, mudam as estações, mudam os alimentos e o fogão, mas aquele cheirinho de comida gostosa, o aconchego que o frio insiste em fazer a gente aproveitar a deixa pra ficar perto das crias e encher a pança, ah, essa é a melhor parte do inverno. E Djavan, meu querido, o  livro fica pra depois.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

TDAH

Ontem foi o dia dedicado as pessoas que possuem Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade ou TDAH. Existem pessoas que não conseguem amarrar cadarços, ou fazer recortes e dobraduras, pelo simples fato de não desenvolver a coordenação motora fina, (muitos filósofos e pensadores eram assim), que demoram muito tempo para processar uma informação pelo simples fato dessa informação não ser de seu interesse. A cabeça dessas pessoas funciona com um guarda roupas desarrumado, onde cada peça que precisa encontrar, não está nas gavetas e por isso demanda tempo para encontrar.
O deficit de atenção se caracteriza pela capacidade de ouvir e ver muitas coisas ao mesmo tempo, ao invés de concentrar em apenas uma coisa de cada vez. Era uma característica humana muito importante quando o homem vivia na caverna e precisava está atento a tudo ao seu redor, como predadores, ou presas, ou ao tempo e ao ambiente. Hoje se tornou uma desvantagem.
É preciso que os educadores sejam conscientizados que cada uma pessoa possui suas necessidades diferenciadas, não se pode avaliar as habilidades de um peixe quando ele estiver fora do seu habitat. Tem alguns anos que convivo com uma pessoa assim, aprendi muito e fico triste quando vejo pessoas que desconhecem esse problema e avaliam crianças da mesma forma padronizada. Rotulando criticando. A necessidade de conscientização e sensibilização da sociedade sobre mais esse processo de saúde é muito importante, mas educadores e familiares devem sempre está atentos.
E nas voltas que o mundo dá, é mais fácil julgar quando não se tem conhecimento. Então antes de julgar se uma criança é mimada ou traquina simplesmente, lembre-se há pessoas com necessidades diferenciadas, e elas são muito sensíveis. É preciso segurança e firmeza no trato com elas, mas sem nunca faltar delicadeza, pois mais importante que o volume da fala, é o argumento a ser usado.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Nublado

Os tempos estão tenebrosos, as noticias que surgem em todos os cantos não são confortáveis, e pra variar o frio e a chuva intermitentes acabam dando a sensação de abandono, de mofo, de descuido. Assim como Galeano, eu também "tenho saudades de um país que ainda não existe no mapa".

terça-feira, 11 de julho de 2017

Invernou

O sol apareceu tímido e logo se foi, o inverno chegou com suas noites longas e frias, as temperaturas desse em especial estão muito mais baixas que de costume, mas a gente vai levando. É no inverno que completamos uma nova idade, eu e o Mateus, é no inverno que aprendemos a conviver com as nossas saudades, e julho é um mês assim, sei lá. No quintal as plantas se acomodam, se curvam com o vento agradecendo ao criador pela dádiva das águas que já encheram nossa barragem com sua capacidade máxima. Inverno é bom.
São nessas noites frias que a gente se acomoda perto dos que queremos bem, tem caldos quentes, café pra dá energia, e a cozinha se torna o lugar mais legal da casa. O meu jasmim é um menino sonhador, mesmo quando todas as outras plantas perdem suas folhas com a ventania, ele se mostra novamente florido, desafiando o tempo, e mostrando que a vontade de viver é maior que as adversidades, ele tem medo de morrer. É como se ver nas palavras de Alberto Camus: “No meio do Inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível.” O jasmim é assim, e foi presente da mãe, ela que plantou, parece que está ali presente.
E nas voltas que o mundo dá, a vida segue com suas estações dentro e fora de cada um. Feliz inverno, mas com saudades da primavera.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Explorando

Julho chegou e com ele o frio de seis graus e uma sensação de está no congelador. Dizem que é o mais frio inverno em 45 anos na cidade, unf. Hoje o sol apareceu só pra iluminar, depois de um fim de semana chuvoso. Aproveitei a ocasião e fui explorar a cidade com o Pedro, passeio que já não fazíamos tem um tempo. Então fomos de pé pelo centro, depois, fizemos sua matricula no francês para o semestre que logo começa. Nessas idas e vindas por uma rua e outra descobrimos uma loja tão gostosa quanto linda. Os mimos começam pelas embalagens, são doces e queijos artesanais lá das bandas das Minas Gerais. Um charme.

Doces do empório.

Em casa, os cães estavam num alvoroço só, levamos para um passeio, o Zeus arrumou uma paquera e a gente foi fazer uma visita pra moça que será em breve minha nora. De tão feliz se empolgou e me jogou no chão. Se vocês querem saber o que é ser o centro das atenções, é só tomar um baque na rua, e se for levada pelo seu filho canino então. Eita.
E nas voltas que o mundo dá, já dizia o Guimarães, aquele que tem nome de rosa e suas frases são sempre cheirosas: "A felicidade se acha é em horinhas de descuido". Ah, meu querido, também está em tombos caninos em pleno passeio de fim de tarde, lembrei dos joelhos ralados da infância, dos ardidos do mertiolate, mas hoje ele nem arde mais. E pra finalizar tem doce de manga e banana lá do empório pra comemorar o namoro de Zeus.