quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Ventos

Os ventos sopraram com tanta força ontem que pareciam cantar uma música estranha, as árvores se curvaram e as folhas encheram o chão de matéria morta. esse inverno está mesmo peculiar. Na noite fria e barulhenta, me peguei a observar o tempo e o vento. Lembrei das tempestades que já passei, das vezes que me curvei e deixei cair tudo que me causava peso e não servia mais. As vezes a vida é tempestade, e a gente precisa agir como árvores, assim a gente pode florescer outra vez.
Pensei que as coisas mais lindas, essas ficam no cerne de nossa existência e os lugares mais profundos e protegidos, eu te guardei. Nesse canto que recebe a luminosidade do sol, garanto sua segurança, e assim posso florescer quando a primavera chegar. E nas voltas que o mundo dá, o tempo mais bonito é hoje, o vento da mudança é sempre providencial, só precisamos  entender o poder das tempestades e nos curvarmos quando necessário, sem nunca quebrar até que ela se vá.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Aos pulos

Já disse antes e repito sempre, ser mãe de menino é viver com o coração aos pulos. O meu parece que não quer habitar meu corpo, quer sair por aí pinotando. O meu menino virou homem, não precisa de mim, mas mesmo assim continuo querendo saber se comeu bem, se dormiu legal, quero noticias quase que de tempo integral. Por quê sou assim mesmo, pegajosa grude, quente. Por quê né? Vou deixar pra ser fria, desligada quando morrer.

Pedro
E nas voltas que o mundo dá, é esse sorriso lindo que eu quero ver no seu rosto todos os dias. É essa irmandade, cumplicidade que vejo nessa dupla dinâmica que são minhas crias, e que me fazem ter o coração aos pulos todos os dias. Afinal, sem coração saltitante e sem borboletas na barriga, que graça teria viver?

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Mais uma pra coleção

Ser mãe de menino é viver com o coração pulando pra fora da boca e empurrando com o dedo pra dentro pra ele voltar pra o lugar. O meu caçula sempre foi aventureiro e gosta de explorar coisas e cantos, nunca vi ter medo de bichos. E sempre trás um animal abandonado pra casa quando encontra na rua, dia desses foi um gato, sorte que conseguimos um lar responsável pra ele, mas mesmo assim ele vista pra saber se o animal está sendo bem cuidado.
Esse fim de semana foi resgatar um gato em cima de uma árvore, se desequilibrou e caiu, resultado ao chegar do trabalho o encontro com dores, no hospital o resultado, uma costela trincada, "sorte que não quebrou né mãe?", Me diz ele. E ficamos um tempo no SAMUR pra ele tomar medicação e cuidar da trincada que o fez sentir dores ao respirar. Uffa.

Mateus no hospital
É foi sorte não ter quebrado, mas é uma história a mais pra contar, um resgate bem sucedido, e mais uma vez meu coração salta aos pulos com as suas aventuras. E nas voltas que o mundo dá, ter uma pessoinha que pensa mais no outro que nele mesmo, as vezes me deixa numa gastura só.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Leitura de mundo

Paulo Freire disse que a leitura de mundo depende da leitura que se tem guardada em si. Eita Paulo arretado! Esses dias estão complicados, um inverno que não acaba nunca, desde abril que chove e faz frio com temperaturas baixas, já está aborrecendo. Os acontecimentos que a gente ver por aí, são calamitosos, é gente querendo censurar a arte, dando opinião onde não é solicitado, é terreiro de candomblé sendo invadido e derrubado, uma intolerância as diferenças assustadora. 
De uns tempos pra cá tenho preferido meu casulo, não sei se as pessoas mudaram ou apenas se rebelaram, mas prefiro não conhecer gente nova, elas são tão iguais em suas que parecem velhas conhecidas. A leitura de mundo desse povo só prova a falta de respeito e de leitura própria, de história, de filosofia, de tanta coisa que as vezes entristece, mas como já disseram que nada é para sempre. Ainda confio na Esperança esquecida da Pandora.
Tenho fome da primavera e suas árvores floridas, parece que nessa época a natureza melhora um pouco os ânimos do povo, pelo menos espero por isso. Essa semana recebi novos livros de presente surpresa, a lista só cresce, o tempo anda curto, mas a viagem por linhas de diferentes concepções de mundo é tão boa que se pudesse Paulo, te traria para gente bater um papo sobre as novidades por aqui, apesar de tudo ainda tem coisas boas. E nas voltas que o mundo dá, aguardo pela primavera como quem espera aquele amor que vai chegar.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Para isso

O Mia Couto disse que: "O paraíso não é um lugar, mas um breve momento que conquistamos".. Ler seus escritos é embarcar em viagens nossas pelas assas dele. Quem nunca teve aquele momento em que queria que o mundo parasse, que nada mais existisse se não aquele breve momento? Quantos foram os beijos demorados que a gente queria que se eternizasse? Ah, mia meu querido, são tantos paraísos que temos que nem sempre nos damos conta deles.
Tem coisas na vida que servem só para isso, serem eternizados, aquele sorriso no canto da boca com um olhar que dispensam palavras, só quem tem a cumplicidade do outro sabe do que se trata. São segredos revelados para os iniciados no ato amoroso que se eterniza nesse efêmero espaço de tempo. E eu sou grata por ter tantos paraísos que acho que a gente vive para isso. E nas voltas que o mundo dá, viver no paraíso é pra agora, é pra já. Pois, é pra isso que se vive, eternizar os efêmeros. 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Civismo

Existiu um tempo onde se desfilar no dia sete de setembro era uma honra. Me lembro que em dias como o de hoje, havia lanche especial pra todo mundo, tinha uma preparação com as representações e roupas que eram feitas com antecedência para que a gente pudesse desfilar pela cidade, tinha uma série de ensaios dias antes pra ninguém fazer feio. Na escola a gente sempre cantava o hino nacional, tinha que saber de cor, e a bandeira era estiada, havia um certo orgulho de ser brasileiro.

Eu, só não sei o ano

Hoje os tempos são outros, quase ninguém sabe cantar o hino nacional, a história foi violentada, esquecida e o civismo já não é tão importante, os exemplos dos políticos atuais nos deixam com vergonha do nosso povo e do mundo que nos ver com olhos de malicia, as escolas já nem fazem mais desfile como antes, cadê o brilho do orgulho nacional? Com tantos escândalos fica complicado ensinar as nossas crias o que é ter orgulho de um país que é constantemente violentado por aqueles que deveriam ser nossos defensores. E nas voltas que o mundo dá, hoje não vejo lá muita coisa pra comemorar, mas muito a ser trabalhado nas escolas e nos lares, a criação e revitalização dos valores que foram perdidos. Desculpa Brasil, mas você é um gigante que precisa acordar urgente.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Chegou

Gosto tanto dos setembros, foi em um setembro que o mundo se mostrou diferente pra mim, desde então passei a querer um bem maior a esse mês que me trás as primaveras, os ipês floridos, que trouxe o presente mais sublime da minha vida um amor imensurável que mudou meu minha leitura de mundo, tornando-o mais colorido. É esse o mês que começa a aquecer os dias para a chegada do verão. E remexendo os achados encontrei uma linda lembrança. É essa a gaveta de saudades presentes que gosto de abrir, pois elas se tornaram lembranças boas.
Flor de pitanga

Flor de morangos

Morangos chegando

Os meus setembros têm mais chegadas que partidas, tem mais comemorações que despedidas é o mês preferido. É tempo de florada do jasmim que perfuma o quintal e foi presente dela pra mim, é comemoração da vida que aflorou em meu ventre prestes a chegada da primavera, das cores vibrantes das espatódeas e de sol brilhante e céu azul. Tem flores chegando por todos os lados. E nas voltas que o mundo dá, seja bem vindo seu lindo, cheiroso e colorido, vibrante e feliz. Se demore se quiser.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Chegando

O Beto Guedes tem uma música linda que fala: "Quando entrar setembro e a boa nova andar nos campos...", pois é Beto, setembro chegou, e junto vem trazendo os ipês florescendo pela cidade, já sinto o cheiro da primavera chegando devagar e preguiçosamente se deliciando com as mudanças na temperatura, convidando o sol pra aquecer e iluminar as novas fases da vida. E pela cidade a gente encontrar mimos como esse da ONG pra cachorros, construindo casinhas e espalhando pela cidade, amor em foram de abrigo.

Ipê da Olivia Flores

Casinha do bosque de eucaliptos

E nas voltas que o mundo dá, eu já escuto e vejo seus sinais por onde ando, e imagino chegando em um cavalo com seus cabelos ao vento. Cegue logo e traga lindas flores primavera.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Cantos

A cidade está se preparando para o maior festival de música do interior do nordeste. O festival de inverno tá prometendo e o clima tem colaborado bastante. Hoje, mesmo com o dia frio saímos sem levar o guarda chuva (eu sempre o esqueço pelos cantos), e nas idas e vindas, a chuva nos obrigou a pausar. No café mais próximo, garrafinhas de sempre vivas.

No canteiro de uma galeria de lojas, consigo tirar uma foto do meu caçula, só assim feito paparazzi, porque né, não gosta de foto, mas eu gosto de contrariar, rsrsrs.

Mateus
 Num canto esquecido da galeria, tem um banquinho improvisado e livros, esses podem ser lido ali mesmo, ou levados para casa, e se quiser pode deixar livros lá pra outras pessoas. Iniciativa interessante.

banquinho de resto de madeira.

É nesses passeios de improviso que a gente descobre cantos pela cidade que nem sabemos que existe. Lugares de tranquilidade no dia corrido da rotina que não para. A gente então se entrega, e toma um café com pão de queijo, olha a chuva passar, e eu fico sabendo das novidades dos games que ele gosta. Participo das suas dúvidas e ouço as novidades com a sua voz que agora muda por causa da puberdade. E logo me veio a lembrança de Guimarães que disse que a felicidade está nas horinhas de descuido. Gosto tanto desses descuidos da vida, da chuva que nos permite um tempinho a mais com gente que a gente quer bem. E plagiando o Chico, eu penso ah, dona chuva se soubesse como gosto de sua chegança.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Lagarteando

Esses dias observei uma lagarta que comia tranquilamente em uma folha da goiabeira, enquanto os beija flor se digladiavam pelo néctar que coloquei pra eles. Fiquei pensando sobre a relação da lagarta com a vida da gente. As vezes é preciso lagartear também, tem coisas que carecem de tempo. A música fica mais linda quando tem o silêncio por perto, a luz, fica mais intensa quando adentra a escuridão. E as vezes precisamos de um tempo pra descobrir as verdades que a vida mostra, e não adianta ajuda externa. Não se pode tirar a borboleta do casulo sem matá-la.

Fonte: Google.
E nas voltas que o mundo dá, borboletear é um verbo que aprendi depois de lagartear, pois como disse Jung: "É preciso passar pela própria escuridão para entender a escuridão do outro". 

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Conflitos

Nesse feriado aproveitamos a folga pra ir ao cinema, o filme conta a história dos macacos que são forçados a travar uma guerra com os humanos. César o macaco líder do bando luta contra os instintos e busca a salvação do seu bando ou o que sobrou dele, enquanto o impiedoso coronel mostra a face mais cruel dos humanos. Também se ver um dos macacos do lado dos humanos e contra os de sua própria espécie. A nobres do César que é um macaco é tão grande em meio aos conflitos que senti vergonha de ser humana.
Ao ver o filme e observar alguns macacos do lado dos humanos lutando contra seus semelhantes, invariavelmente lembrei das palavras de Hanna Arendit quando afirmou que o nazismo  e a escravidão só foram possíveis por que alguns lutavam contra a sua própria gente. Os conflitos de interesse são muitos. 
E nas voltas que o mundo dá, Paulo freire também afirmou certa vez: "Quando o o opressor oprimi o oprimido, o sonho do oprimido e ser opressor." E isso é bem retratado no filme que vale muito uma reflexão sobre os dias sombrios que se vive atualmente. Nos EUA as manifestações nazistas e racistas é uma preocupação para se levar em conta, uma vez que a cultura americana é copiada por tantos em todo o mundo. E como a frase mais notória do livro A menina que roubava livros "Os humanos me assustam".

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Mistério da lua

Eu pensei que os planetas
Vivessem como os viventes
Mas, a vida desses corpos
Das nossas são tão diferentes
Naquele belo universo
Mandando luz para a gente
Vem apontando a aurora
E o sol começando a luta
Rasga as cortinas da noite
Por cima da selva bruta
Jogando raios de luz
Naquela caverna oculta
O orvalho soberano
Por cima dos verdes mares
Os passarinhos em folia
Fazendo uma serenata
Ao orvalho que se derrama
Parecem gotas de prata
Pois o Sol namora a Lua
Ha 30 trilhões de anos
O Sol se aproxima dela
Mas ela se afastando
A noite o Sol se esconde
E a Lua fica chorando

(SEVERINO TATA 24-9-69)

Das cartas que nunca te darei

Dizem que a gente não pode sentir saudade de algo que nunca se viveu, sinto informar que há controvérsias. Ouvi muitas histórias fascinantes de você e me apaixonei sem nem mesmo conhecer de fato. Soube das noites enluaradas que você mostrava as estrelas e apresentava o nome delas pra seus filhos, dos feitos empreendedorismos, do amor pelos livros e poesia, até tenho uma escrita a mão por você. Gosto de olhar aquelas fotografias em preto e branco que estão sobre minha mesa de trabalho, e amo dizer que sou sua filha, metade negra, metade branca. Sei que aprendeu a ler sozinho e seu exemplo foi a forma mais interessante de educar até quem não te conheceu como eu.

Severino Nascimento
E nas voltas que o mundo dá, ainda sinto um pouco de ciumes quando falam de você, ainda gosto de ouvir histórias suas. E queria ter tido a alegria de sua presença em nossas vidas, embora de alguma forma ela ainda está viva, e sinto saudades dos momentos não vividos com você meu pai.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Samurai

Ouvi histórias de samurais que são lindas, princípio éticos, determinação, respeito ao código que rege suas atitudes e sempre admirei a competência desses guerreiros que afirmam que a maior batalha é aquela cuja espada não precisa ser utilizada. Para mim, guerreiros samurais são todas as pessoas determinadas e que não se contenta com situação desagradáveis.
Esses dias completou-se oito anos que o meu samurai determinado toma nem sempre pacificamente, nem sempre sem questionar suas injeções diárias, mas sempre percebe que essa é a melhor opção para o seu tratamento e que os resultados são animadores. É uma batalha vencida a cada centímetro conquistado. Ontem fomos ao posto de saúde para que tomasse uma picadinha extra, a vacina contra o HPV, no caminho me confessa que não está se sentindo confortável em encará uma piada extra, ainda por que não seria eu a aplicar.
No posto a enfermeira aplica a dose e ele sabiamente vem pra casa debatendo comigo. "Mãe, com tanta tecnologia no mundo, por que ainda não inventaram um modo de medicar sem furar?" Me questionei também, mas a resposta veio dele mesmo. "Já sei. Essa tecnologia já existe, mas a industria farmaceuta talvez não levasse lucros enoooormes, e preferem deixar a gente sofrendo com picadas diárias". 
E nas voltas que o mundo dá, fico imaginando como pode um samurai assim tão sabido ter vindo de mim? O meu guerreiro é um rapazinho que sabe já cedo que a maior batalha é aquela que não se desembainha a espada. E nosso código mais preciso do Bushido é: "Viver é arriscado e perigoso. Ficar escondido não é a melhor maneira de encarar a vida. Você deve se esforçar para viver ao máximo e intensamente. Mas ser corajoso não é ser um idiota. Você deve ter inteligência e cautela por trás de seus atos". Sinto felicidade plena de fazer parte do seu crescimento meu samurai.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Luna

A lua hoje se mostrou grandiosa, redonda e escandalosamente bela. Agosto tem dessas coisas, os dias são ensolarados, mas a temperatura é muito baixa. O céu limpo fez com que ela ficasse ainda mais bela pra se exibir. Lembro das noites de primavera onde a noite sempre cai assim, sem manchas, sem culpa, limpa e fresca. E embarco na aventura de levar a minha alma para navegar pelas ondas saborosas de meus delírios.
Sob o luar as coisas ficam mais calmas, mais bonita, ela não quer governar, tem fases. Diferente do sol não cega os que as querem ver e admirar, deixa as estrelas aparecerem e fazer companhia. Acho que é por ser assim tão solicita que ajudam as nossas mentes a vagarem pelo imenso mar das lembranças, e vem a vontade de uma música, o vinho, o aconchego de um abraço e a tranquilidade do amor presente.
E nas voltas que o mundo dá, é preciso sentar a beira do poço, pintar a vida com novas cores, pois as minhas telas são pintadas com as cores que imagino e não como as vejo. E teus olhos ainda me causam o espanto de ser capaz de me mostrar todos os encantos.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Devaneios

Era uma noite de muita chuva, as tempestades de Poseidon assolavam as praias. Ela destemida foi até o barqueiro Caronte, pediu passagem mesmo sem ter nenhum dracma o convenceu com sua retórica, foi até Hades  e o reconheceu com aquele jeito de roqueiro e o presenteou com um CD do U2 trouxe a Perséfone para melhorar as coisas por aqui, no caminho encontrou Narciso e mostrou que ele não era assim tão lindo, tinha coisas melhores pra fazer que ficar se olhando no espelho da água do rio.
Também manou o cupido distribuir novas flechas de amor fraterno entre os humanos e não perder a fé neles. Hera, ocupada com as amanes de Zeus não se deu conta do que ocorria pelos corredores do Olimpo. Passou por Homero e fez um pedido para que as contasse a história de Troia com mais poesia e menos tristeza e libertou Perséfone para junto de Demeter, assim fez com que a primavera voltasse. E nas voltas que o mundo dá, na manhã seguinte viu Apolo trazer o sol e dá uma piscadela de olho pra ela. Bem vindo agosto, sol seu lindo pode se amostrar, estávamos todos com saudade de você.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Stand by me

Eu menina, nos tempos do colégio tinha muitos amigos e amigas, a gente participava de todos os eventos culturais desde gincanas até festival de canto e teatro, era tudo meio improvisado, mas era muito legal. Certa vez, teve uma apresentação de teatro na capital, não lembro bem onde, mas Dona Maria de Zé Leão, isso mesmo, no interior a gente é meio que apelidada pelo membro da família. Ela nos levou pra fazer uma peça em algum lugar que não lembro, mas meu papel era de um matuto menino. Eram bons os tempos, as amizades que até hoje ainda as guardo e cultivo são mutas daquela época.
Esses dias, meu caçula foi participar de uma aula na Casa azul escola teatro, na sala de espera, eu vibrava ao ver de longe, sem que ele me visse, ali recordei as emoções vividas, me vi como ele e algumas lembranças meio vagas me invadiram a memória. Me pergunto como pode um momento consegui se eternizar em nossa memória afetiva. E um pensador grego em faz recordar que o nome disso é felicidade. Pois são nesses momentos que a memória eterniza que a gente não quer que sejam levados pelo tempo.
Hoje é muito mais fácil da gente registrar essas lembranças além da memória, as tecnologias de comunicação nos facilita muito. E nas voltas que o mundo dá, a fala cheirosa do Guimarães trás mais significados "Viver é rasgar-se e remenda-se". Nas lembranças empoeiradas da vida, a gente percebe que algumas histórias apenas se repetem com algumas pitadas de inovação. E eu estarei sempre por perto enquanto me for permitido por que tudo que quero é você fique mais tempo comigo e que eu possa fazer parte desse tempo com bastante qualidade.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Dias gelados

Dizem que no nordeste as estações se dividem em: calor, verão, mormaço e quentura. Descobri nesse inverno gelado que não sou pra feita para dias tão frios e úmidos. Parece até que os vagantes brancos estão chegando por aqui e não na muralha da Guerra dos tronos. Sinto saudade de cheiro de mar, do sol, penso até que vou mofar. Até os cães ficam quietinhos no quintal, escondidos em sua casa, os passarinhos não cantam. Definitivamente esse tá igual ao meu primeiro inverno nessa cidade gelada.
Me sinto hoje como uma borboleta cujo casulo não me cabe mais, não quero esses casacos pesados, esse músculos recolhidos, a falta de sol, parece até que faço fotossíntese, preciso dele mais que tudo. E nas voltas que o mundo dá, pode ir inverno. Deixe a primavera chegar. Já deu meu nego.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Cuidar

Certa vez Leonardo Boff escreveu: "O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro". O cuidar feminino ultrapassa as fronteiras do afeto, do querer e do fazer bem. O papel feminino sempre foi de cuidar é uma coisa quase uterina.
Dizem que hoje é o dia das avós, minha mãe foi vó e bisavó, já tenho irmãos que assim o são também, e tive o prazer de viver e conviver coma  presença da minha avó a Joana, coisa que os meus filhos foram privados. Na casa dela a gente tinha voz e vez, colo e café, biscoito de canela e razão pra tudo. Sempre gostei de ouvi suas histórias e conselhos, era idosa quando a conheci, mas tinha uma juventude no olhar e na fala que me fazem lembrar e sorrir até os dias de hoje. Sua casa de piso vermelho com ervas no quintal, fogão a lenha e a calmaria do coração que exalava pelo ar como um perfume suave, era meu refugio e de todos os primos e primas.

Joana Costa com seus 92 anos de idade

Dela, herdei a cadeira de palha em estilo clássico, uma cocha de crochê feita nessa mesma cadeira que hoje uso pra minhas leituras, gosto de lembrar de cada hora que a memória me permite guardar, e ainda acho que ela era meio alquimista, pois tinha a cura para qualquer dor da gente. E nas voltas que o mundo dá, Freud tinha razão quando disse que as avós têm um papel importante na formação de seus netos e netas. Obrigada por tudo vó.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Café

Sei que já falei do meu amor pelo café, pelo mar, pelo sol e o sal, além de outras coisinhas mais. Esses dias frios e úmidos, tem aproximado mais as pessoas, se bem que o verão, o sol também aproxima, é tudo uma questão de perspectiva. Dias desse teve uma reunião na faculdade, aquelas que acontecem no início do semestre, e aí a gente se depara com um agrado, quente e ainda recebe pra levar pra casa.


Chegando em casa, vejo que as crias se inscreveram no curso de teatro, vibrei com a iniciativa dos dois, vejo que apesar da diferença da idade agora estão tendo interesses em comum. E nas voltas que o mundo dá, um café quente aquece o corpo, uma noticia boa aquece a alma. Mas vamos combinar que já deu né inverno,? Frio demais, umidade demais, se quiser se despedir não se acanhe meu bem.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Lembrar

Dia desses na aula de inglês, o Lázaro perguntou com que celebridade a gente gostaria de conversar se tivesse a oportunidade de encontrar uma pessoa que já morreu. Eu respondi que seria Aristóteles, mas na verdade seria você. Ontem caminhando pela rua, vi um senhor de pele escura que caminhava como se pedisse licença ao vento, sorria como se visse coisas de outros mundos e me cumprimentou como se me conhecesse. Lembrei de você. Pessoa que com quem mal convivi, mas que suas histórias contadas por terceiros me fez construir uma imagem sua só pra mim. E gosto tanto dela, não sabia que a gente podia sentir saudade do que não se viveu, pois até então eu tinha saudades do que vivi e ficou pra trás, mas ontem senti saudades de você.
Lembrei que você gostava de lírios, mas eu gosto de flores vermelhas, mesmo assim comprei um quase se abrindo e o coloquei na sala pra ficar perto de você. fazendo jus aquele rapaz barbudo que diz: "A pessoas a flor da pele dê lírios"



O saramago disse certa vez que há pessoas com o coração de ferro, o dele sangrava todos os dias, pois era feito de carne e sangue. Ah, Saramago, o meu também, só que ele não é músculo involuntário, é um nervo exposto, que sente saudade até do que não viveu. E nas voltas que o mundo dá, a imagem que foi construída do meu velho ao longo de minha vida pelos irmãos e irmãs que com ele conviveram faz parte de mim e gosto muito disso. Lembranças pai.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Ideologia

Para a maioria das pessoas ideologia é uma ideal, um conjunto de ideias individuais ou coletivas. No filme Capitão fantástico, um casal resolve colocar suas ideias em prática, vão viver numa floresta, educam seus seis filhos de acordo com o pensamento naturalista, oferece uma cultura rica, as crianças aprendem línguas, culturas e tolerância, instrumentos musicais e praticam atividades físicas longe das redes sociais, além de conhecer o sistema capitalista e não apoiá-lo. É um filme lindo.
Quando a mãe adoece psicologicamente e morre o pai passa a ter suas diferenças com a família da amada, e se mostra um homem sensível e forte, exemplo para os filhos que ao poder escolher preferem ficar com ele. A cena do velório da mãe feita por eles, e a música que a filha canta, a forma que encaram a morte e o luto. São tão belas que fazem a gente repensar nosso valores atuais. Vale muito a pena ver e pensar a respeito da mensagem que o filme passa.
E nas voltas que o mundo, cada escolha tem um preço, a empatia pelo outro, a capacidade de se colocar no lugar do outro é uma das formas mais lindas de religiosidade. E como disse Cazuza: "Ideologia, eu quero uma pra viver". Bem, meu caro, eu tenho a minha. 

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Amigo

Disseram que hoje é o dia do amigo. O Milton falou que amigo "É coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito". Eita, e num é que é mesmo Miltão. Tenho amigos virtuais e outros da realidade que fazem meus dias mais animados, tenho aqueles que estão distantes e que se fazem tão perto que a gente até sente o cheiro. Uma amiga irmã que foi pra longe, mas se faz muito presente. Mesmo assim, o amigo mais leal de todos, que não importa nada além de nossa presença é um rapaz jovem, que interage com todos, companheirão, o meu amigãocão Zeus.


Ele tem um porte de lord, tem nome de deus grego, a paciência de um monge e adora sentir novos cheiros quando sai pra passear, nunca está de mau humor, e cumprimenta a gente como se fosse humano. Compartilha do seu quintal com as irmãs gatas sem nenhum problema. Porém como nem tudo é perfeito, agora não tenho mais flores no quintal. Ele adora fazer buracos no chão. E nas voltas que o mundo dá, os amigos dá pra guardar no coração, mas vamos combinar né? Com eles por perto a vida fica ainda mais saborosa pra se viver. Feliz dia do amigo pra todo mundo com muitos lambeijos.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Quentura

Existem dias frios que a gente sofre um pouco aqueles sintomas de lonjura. O Djavan disse que é nesses dias que a gente tem que arrumar um bom lugar para ler um livro. Na minha cidade natal os dias frios não eram assim tããão frios, e ainda tinha a casa da avó com fogão de lenha que aquecia a cozinha, cheirinho de café torrado em casa, chá de hortelã colhido logo ali no quintal e biscoitos de canela. Dona Joana era um mulher que gostava de ver os netos e netas de barriga cheia. Eu magrela sempre ganhava mais.
Esse ano o inverno chegou castigando parece até que os ossos vão trincar, a umidade tem contribuído para que a sensação térmica fique ainda mais fria. Nesses dias eu sofro de lonjura, aquela sensação de que o tempo corre pelas mãos como a massa do pão que a gente insiste em apertar. Os chimangos, eu desisti de aprender a fazer, mas um pão de batata dá pra ser feito. Não tem fogão a lenha, mas o forno ligado ajuda a aquecer as noites frias de inverno conquistense.
E nessas noites frias, a gente abre um vinho, as crias enchem as canecas de chocolate quente e a gente se ajeita perto do forno que cozinha o pão, pra gente comer com a manteiga derretendo sobre ele. Tem aquele queijinho derretido que a casquinha crocante tem que ter pra todo mundo.
E nas voltas que o mundo dá, mudam as estações, mudam os alimentos e o fogão, mas aquele cheirinho de comida gostosa, o aconchego que o frio insiste em fazer a gente aproveitar a deixa pra ficar perto das crias e encher a pança, ah, essa é a melhor parte do inverno. E Djavan, meu querido, o  livro fica pra depois.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

TDAH

Ontem foi o dia dedicado as pessoas que possuem Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade ou TDAH. Existem pessoas que não conseguem amarrar cadarços, ou fazer recortes e dobraduras, pelo simples fato de não desenvolver a coordenação motora fina, (muitos filósofos e pensadores eram assim), que demoram muito tempo para processar uma informação pelo simples fato dessa informação não ser de seu interesse. A cabeça dessas pessoas funciona com um guarda roupas desarrumado, onde cada peça que precisa encontrar, não está nas gavetas e por isso demanda tempo para encontrar.
O deficit de atenção se caracteriza pela capacidade de ouvir e ver muitas coisas ao mesmo tempo, ao invés de concentrar em apenas uma coisa de cada vez. Era uma característica humana muito importante quando o homem vivia na caverna e precisava está atento a tudo ao seu redor, como predadores, ou presas, ou ao tempo e ao ambiente. Hoje se tornou uma desvantagem.
É preciso que os educadores sejam conscientizados que cada uma pessoa possui suas necessidades diferenciadas, não se pode avaliar as habilidades de um peixe quando ele estiver fora do seu habitat. Tem alguns anos que convivo com uma pessoa assim, aprendi muito e fico triste quando vejo pessoas que desconhecem esse problema e avaliam crianças da mesma forma padronizada. Rotulando criticando. A necessidade de conscientização e sensibilização da sociedade sobre mais esse processo de saúde é muito importante, mas educadores e familiares devem sempre está atentos.
E nas voltas que o mundo dá, é mais fácil julgar quando não se tem conhecimento. Então antes de julgar se uma criança é mimada ou traquina simplesmente, lembre-se há pessoas com necessidades diferenciadas, e elas são muito sensíveis. É preciso segurança e firmeza no trato com elas, mas sem nunca faltar delicadeza, pois mais importante que o volume da fala, é o argumento a ser usado.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Nublado

Os tempos estão tenebrosos, as noticias que surgem em todos os cantos não são confortáveis, e pra variar o frio e a chuva intermitentes acabam dando a sensação de abandono, de mofo, de descuido. Assim como Galeano, eu também "tenho saudades de um país que ainda não existe no mapa".

terça-feira, 11 de julho de 2017

Invernou

O sol apareceu tímido e logo se foi, o inverno chegou com suas noites longas e frias, as temperaturas desse em especial estão muito mais baixas que de costume, mas a gente vai levando. É no inverno que completamos uma nova idade, eu e o Mateus, é no inverno que aprendemos a conviver com as nossas saudades, e julho é um mês assim, sei lá. No quintal as plantas se acomodam, se curvam com o vento agradecendo ao criador pela dádiva das águas que já encheram nossa barragem com sua capacidade máxima. Inverno é bom.
São nessas noites frias que a gente se acomoda perto dos que queremos bem, tem caldos quentes, café pra dá energia, e a cozinha se torna o lugar mais legal da casa. O meu jasmim é um menino sonhador, mesmo quando todas as outras plantas perdem suas folhas com a ventania, ele se mostra novamente florido, desafiando o tempo, e mostrando que a vontade de viver é maior que as adversidades, ele tem medo de morrer. É como se ver nas palavras de Alberto Camus: “No meio do Inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível.” O jasmim é assim, e foi presente da mãe, ela que plantou, parece que está ali presente.
E nas voltas que o mundo dá, a vida segue com suas estações dentro e fora de cada um. Feliz inverno, mas com saudades da primavera.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Explorando

Julho chegou e com ele o frio de seis graus e uma sensação de está no congelador. Dizem que é o mais frio inverno em 45 anos na cidade, unf. Hoje o sol apareceu só pra iluminar, depois de um fim de semana chuvoso. Aproveitei a ocasião e fui explorar a cidade com o Pedro, passeio que já não fazíamos tem um tempo. Então fomos de pé pelo centro, depois, fizemos sua matricula no francês para o semestre que logo começa. Nessas idas e vindas por uma rua e outra descobrimos uma loja tão gostosa quanto linda. Os mimos começam pelas embalagens, são doces e queijos artesanais lá das bandas das Minas Gerais. Um charme.

Doces do empório.

Em casa, os cães estavam num alvoroço só, levamos para um passeio, o Zeus arrumou uma paquera e a gente foi fazer uma visita pra moça que será em breve minha nora. De tão feliz se empolgou e me jogou no chão. Se vocês querem saber o que é ser o centro das atenções, é só tomar um baque na rua, e se for levada pelo seu filho canino então. Eita.
E nas voltas que o mundo dá, já dizia o Guimarães, aquele que tem nome de rosa e suas frases são sempre cheirosas: "A felicidade se acha é em horinhas de descuido". Ah, meu querido, também está em tombos caninos em pleno passeio de fim de tarde, lembrei dos joelhos ralados da infância, dos ardidos do mertiolate, mas hoje ele nem arde mais. E pra finalizar tem doce de manga e banana lá do empório pra comemorar o namoro de Zeus.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Fogueira

As fogueiras eram usadas pelos primitivos como forma de se aquecer, cozinhar alimentos e se proteger das feras, nas antigas religiões eram usadas em celebração pelo solstício de verão na Europa, os cultos pagãs eram rituais de fertilidade, também haviam sacrifícios de animais para afastar a esterilidade de humanos e animais. 
Quando Isabel estava pra ter o João Batista usou uma fogueira pra anunciar a Maria sua prima, a chegada do que iria preparar o caminho do Salvador. Então o cristianismo fez o que sempre soube fazer de melhor, transformar festividades pagãs em religiosas. Em Portugal, as comemorações se estenderam também aos santos Antônio que nasceu em Portugal, mas morreu na Itália em 13 de junho de 1195, e a de São Pedro que ocorreu em 29 de junho.

Pula a fogueira Iaiá...

Com a colonização e evangelização dos índios e escravos do Brasil colonial, as festividades forma se ampliando, ganhando adeptos e hoje é consolidada com a maior, mais bela e mais animada festa que também comemora a fertilidade, a colheita e a chegada do inverno por aqui.
E nas voltas que o mundo dá, a nossa festa é acolhedora, animada, não precisa de convite, as pessoas chegam, se aninham na beirada da fogueira, pulam, viram compadres, danças um ritmo só nosso e é uma festa única no mundo. Feliz junho pra todo mundo.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Cheganças

Um dia a gente esquece a senha das coisas e elas ficam ali paradas, um dia a gente acha e elas chegam. E chegou o inverno frio e trazendo com ele os cheiros do São João, a saudade de outros tempos e as perspectivas de outras auroras. Impossível não lembrar da cada de tio Paizinho, das pamonhadas na casa da mãe. Aí a gente vai pra cozinha e perfuma a casa com canela, gengibre, milho verde e conta histórias na beira da fogueira.

O meu estandarte que a Terezinha fez ficou lindo 

E agora tem uma vizinha linda de pouco mais de três anos que vibra com as gatas e os cães daqui de casa, a Sara. E chegaram coisas boas, chuvinha fina, as crias crescendo, o mundo girando e a vida acontecendo. E nas voltas que o mundo dá, gosto tanto de cheganças que até o inverno é bem vindo promovendo narizes frios e abraços longos e apertados.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Alquimia

Dizem que o objetivo da alquimia era transformar metal comum em ouro. Lamento informar, mas é transformação de sentimentos, de sabedoria é a mudança de estado em todos os sentidos, assim falou Hermes nas tabuas das esmeraldas. Dizem que os amores se reconhecem no momento que se encontram. Isso sim, é uma verdade absoluta.
No momento em que eu te vi, meu coração pulsou tão forte que quase saiu do peito. Era a confirmação de um amor que eu já tinha em mim, sei que é pra sempre, a mim foi delegada a responsabilidade de cuidar, e meu corpo serviu de alimento pra você durante um tempo. A alquimia transformadora passou a residir em meu ser. Melhorei como pessoa, mudei minha maneira de ler o mundo e passei a ter uma razão para existir. Passei a ter motivos para seguir em frente e gostar de viver, e, sobretudo querer viver mais tempo por aqui.
E nas voltas que o mundo dá, os amores de minha vida foram reconhecido no primeiro olhar, esses olhos negros que parecem jabuticabas até hoje me fazem rir, e por falar em riso esse é o som que eu mais gosto de ouvir vindo de vocês. Hoje só posso agradecer ao criador pelo dom da maternidade, e ser a escolhida para ser a mãe de Pedro e Mateus, amores eternos, alquímicos e incondicionais.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Suicídio

O ato de tirar a própria vida é uma proibição na cultura cristã com a justificativa que a vida foi dada por Deus e por isso só Ele pode retirar. Na cultura oriental durante muito tempo o seppuku era um ritual suicida um samurai tinha de retirar sua própria vida com honra, na Roma antiga era uma prática corriqueira. Na atualidade pesquisas apontam que a cada minuto uma pessoa se mata no planeta essa estatística é assustadora.
Esses dias um jogo se proliferou entre os jovens chamado de desafio da baleia azul, nele, os jogadores fazem desafios que chegam a automutilação e ao suicídio e são muitos os casos pelo Brasil, as redes sociais estão cheias de pessoas preocupadas e outras rindo da desgraça alheia, "vivemos num mundo doente" já cantava o Renato nos anos 80. Ah, Renato, a juventude continua buscando uma razão pra viver, uma ideologia e estão fragilizados com tanta informação disponível, com tanta cobrança da sociedade que se perdem no mundo virtual.
É preciso um olhar mais atento para essa juventude, as tristezas que afetam crianças e jovens carentes de afeto e encontram num jogo uma razão pra desafios. Aliás jovens gostam de chocar, desafiar, mas esse jogo virtual só mostra o grau de nocividade da ausência de afeto e atenção. E nas voltas que o mundo dá, é preciso que estejamos mais atentos a esses meninos e meninas, orientar, vigiar e, sobretudo, amar, por que ninguém morre de amor, ninguém adoece por ter recebido atenção e afeto, mas por falta dele.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Mãos

No filme a família Bélier (indicação do Evaldo Brasil), conta a história de uma família de surdos-mudos que tem uma integrante com a voz linda e vai para Paris fazer um teste de canto. (não fui á Paris ainda, mas me contentei com um vinho chileno). É uma história de descobertas de sentimentos, de entrega e de emoções gritantes, mas as mãos, ah, são com elas que se fala a língua que os surdos compreendem, e no final a moça linda canta ao mesmo tempo que traduz para os pais na platéia.


Um brinde á vida. By Sinara

Foram com as mãos que Jesus abençoaram seus discípulos, com elas se fazem curas até hoje com a imposição, mas também são as mãos o instrumento de prazer, são as mãos que curam com bisturis, elas fazem leis, superam limites e se comunicam, são com elas que se toca o instrumento mais perfeito da criação, o corpo. São com elas que as tintas e cores do imaginário se transforma em arte, poesia como as de Florbela, e pinturas como as do Van Gohg. São elas que abrem as portas e janelas pra o sol entrar, e elas não precisam ser jovens para demonstrar afeto. As mãos mais linda que conheci foram as suas.
E nas voltas que o mundo dá, o filme mostra que amar as vezes implica em abandonar o casulo, com as mãos se acena para o que ficou pra trás, e recebe o novo que vem pela frente. E da série pra sempre, as suas mãos nas minhas.

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Fumacinhas engarrafadas

Existem lugares e paisagens que moram em mim, alguns aromas fazem parte daquele conjunto de potinhos de lembranças embaladas e guardadas em lugar seguro, mas as vezes eles saem por aí pra brincar, ando meio descuidada (acho que não estou tampando meus potes direito). Os cafés que foram tomados, as companhias e as risadas são sempre uma fumaça que evapora da xícara. Tem aqueles acompanhados de aflição com pernas que não param quietas, aqueles que esquentam as mãos em dias muito frios, as risadas com as amigas, são tantas que se vão nas fumacinhas engarrafadas. 


Hoje cedo depois da caminhada, pegamos as crias e fomos tomar café fora. O lugar é agradável e os meninos estranharam comer fora logo cedo, mas vamos combinar que o dia tá aí para ser vivido, vamos colher todos os frutos dele. E nas voltas que o mundo dá, um café seja ele quente ou geladinho de acordo com o dia, acompanhada ou sozinha, é uma das minhas alegrias preferidas e hoje resolvi compartilhar e criar novas fumacinhas com aroma de café para serem engarrafadas. Bom dia povo lindo.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Lee

Esses dias encantei-me com as histórias da Rita Lee em sua autobiografia, as histórias encantadoras de uma família ítalo-americana e complexo de Cinderela por ser a terceira de três irmãs, além da paixão por pessoas canhotas, como seus ídolos da juventude, em comum temos isso Rita, também admiro e amo pessoas sinistras e tenho dois exemplares em minha casa, o Pedro foi o primeiro neto da minha mãe e o primeiro da família toda. Li o livro sorvendo cada palavra das loucuras da rainha do Rock e cada vez gosto mais dela.


Como é um livro novo e por aqui já tem lista de pessoas para ler não contarei detalhes a não ser que temos em comum a paixão pelo Elvis, os canhotos e uma infância cheia de pessoas queridas que ficaram com tatuagens em nossa memória, tanto que nem mesmo  Alzheimer consegui roubar da rainha.
E nas voltas que o mundo dá, também tenho minhas restrições com os teóricos do antigo astronauta, também imagino o Peter Pan rondando a casa em noites de lua.