domingo, 31 de dezembro de 2017

Ano meiô, findô

Chegamos ao final de mais um ano e a nossa caixa de mensagem fica lotada de mensagens, recados, conselhos e lembretes. Como se já não bastasse a Simone cobrando desde o natal: "o que você fez?". Lembro-me bem que minha avó dizia sempre: "Ano meiô, findô" Verdade, parece que tudo ganha mais velocidade depois do São João e de repente já é natal. Nesse clima de vamos começar tudo novo de novo se faz praticamente uma auditoria do que foi feito e do que não se conseguiu ou não se tentou. E todo mundo faz as promessas que sabem que não vão cumprir ao longo do ano vindouro.
Também já ouvi o ditado que a gente colhe o que planta. Esse ano não tenho muito do que reclamar, minha colheita principal está muito bem obrigada. Livrei-me de dores homéricas que me atormentava há tempos, o meu caçula conseguiu adquirir os centímetros que desejávamos e agora já é um ultra jovem, por sinal lindíssimo. E muitos outros frutos das plantações feitas ao longo do ano, foram colhidos. 

Meu ultra jovem

 
Um suco pra variar...

E no último dia do ano, a gente está como? Tomando um suco vermelho, a cor da paixão, da intensidade, por que quem colore a vida é a gente e a minha anda feito um caleidoscópio, tem cores e sabores variados que costumo sorver cada gole seja amargo ou doce. Por que "O que não nos mata nos fortalece" já dizia Nietzsche. E nas voltas que o mundo dá feliz ano novo, feliz vida nova, feliz novos planos e que todos eles possam dar certo, que todas as colheitas sejam promissoras.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Dia de aventura

Os meus meninos sempre construíram seus próprios brinquedos e muitos deles estão incumbidos de muitos significados, no dia mais longo do ano, ele foi saldar o astro rei no meio do mato, visitando o rio que nunca para de correr assim como a vida e o qual não se encontra compurgado, na bagagem o meu caçula se mostrou interessado em desvendar os mistérios e construiu sua própria Excalibur, aquela espada que foi forjada com magia e depois que Arthur a tirou da pedra e fez uso dela em sua vida, foi jogada de volta ao lago. E assim, peremptoriamente as aventuras tiveram início.

A Excalibur de Mateus

O solstício de verão no hemisfério sul, é marcada com o dia mais longo do ano. E o nosso começou com grandes aventuras. Fingimos ser personagens do mundo mágico de Avalon, e ele muito animado me  diz que gosta das minhas brincadeiras por que seus amigos não entendem muito das histórias que ele tanto gosta e fica complicado brincar de personagens diferentes. Foi com o seu "Uter Pendrago" curtir uns dias na roça. E nas voltas que o mundo dá, ser parceira de brincadeiras de menino, enquanto a fase de brincar ainda não passou, não tem preço. Por que ser mãe de menino é viver aventuras lendárias todos os dias, mesmo com uma espada feita de cabo de vassoura e colocada no pináculo de um monte de terra como se fosse uma rocha sólida para as próximas aventuras de verão.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Saudade persistente

A semana que antecede o natal é uma dessas que faz rever muitos ritos. Em minha terrinha amada e tão, tão distante nessa época a gente ficava a espera dos parentes que moravam longe, e era um tal de fazer faxina na casa, doar as coisas que não se usava mais e ordenar as idas a igreja. Na noite tão esperada eu ficava lá, acordada a espera de ver o tal bom velhinho, que nunca conseguia por que o sono chegava sempre primeiro. No dia seguinte a caixa de chocolate com o nome de cada um de nós estava sempre bem embalada (como um caro presente).
Numa dessas noites consegui ver que quem colocou o meu presente tinha uma cara bem conhecida, ela agachada embaixo da cama, colocou uma caneca com uma escova de dentes pra cada um de nós. Meu papai Noel na verdade era menina, seu nome Carmita. E minha caneca tenho até hoje.

Olha elaaa.

Há tempos não decoro a casa com os elementos natalinos, as gatas não deixam a árvore de natal em pé, então doei, as crias cresceram e já não comportam mais a ideia do bom velhinho, mas alguns ritos permanecem os mesmo, a faxina geral na casa, as doações do que não nos serve mais, mas pode servir para alguém, a espera pelos parentes que moram distante, e a alegrai do reencontro anual da família permanecem acessos. Mas ainda trago a lembranças dos chocolates no dia do natal, e mesmo não comendo mais eles, ainda cheiro a caixa quando abro, e fecho os olhos revendo cada um dos natais com muitos parentes que não estão mais conosco, e que não vão chegar. 
E nas voltas que o mundo dá, as vezes me pego a pensar como Belmiro Braga: "Quantos mortos trago vivos no fundo do meu coração?" Ah, Braga, são tantos! Mas prefiro festejar as comemorações com os vivos por que ainda é tempo. Mesmo tendo na lembrança a saudade persistentes dos que já se foram e as doces lembranças com aroma achocolatado de memoráveis festividades de tempos vividos, sem tristeza, mas com a emoção de que foi muito bom. E minha caneca ainda permanece como lembrança de outros natais.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

A vida

O Guimarães certa vez falou que a "A vida é assim, esquenta, esfria, aperta dai afrouxa, sossega, depois desinquieta, o que ela quer da gente é coragem". Sempre que chega o final do ano, a gente faz uma retrospectiva parece uma ação que não temos controle, simplesmente a gente faz a contabilidade do que foi bom e ruim no decorrer da passagem dos dias. E nessas horas a gente percebe que a vida é uma capoeirista, ela adora dar umas rasteiras vez por outra.
Mas como a capoeira também pode ser considerada uma dança, embora seja uma luta, a única alternativa e aceitar o pedido da dança, tomar um porre de esperança e seguir a dança. Esses dias tenho acompanhado a dança capoeirista dos meninos de Esperança. Rau e Evaldo na luta constante para manter a história da terrinha. Desde os tempos do colégio que me deparei com Evaldo e comitiva tentando fazer do jornal do colégio uma forma de informar, e levar cultura pra todo mundo. Não lembro ter visto muito incentivo do povo.
Ontem, eles tiveram uma reunião para a criação do Instituto Histórico e Geográfico de Esperança. E eu fico assim, de longe, torcendo para que eles continuem se embriagando de esperança, tomando e dando rasteira na luta contra as diversidades da vida, e subindo de nível no jogo. E nas voltas que o mundo dá, vai sempre esquentar, esfriar, apertar e afrouxar, só não pode faltar coragem. Parabéns meninos por que enanto os demais são promessas, vocês são atitude.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Ele passou

O final de ano chegou e com ele a colheita das lutas diárias. Para meu caçula, se manter focado em uma atividade é um desafio, é preciso gostar muito pra manter o foco, quem tem TDAH sabe do que falo. O empenho foi grande e o sucesso não tardou, agora respira aliviado por passar de ano. Na escola o professor me conta que ele havia feito um trabalho com o tema errado e na hora, de improviso, assim feito cantador de repente deu conta do tema novo e o fez com empenho, por que não é prova que afere os conhecimentos, mas é o único meio até hoje para aferir. (morro de orgulho).

Mateus tranquilo apreciando Olinda - PE.

E ele que não gosta de fotografias, mas ama os bichos em geral. Gosta de visitar os museus pelas cidades que passamos, mas sobretudo, o mar. Eu o fotografo feito paparazzi. E nas voltas que o mundo dá, a felicidade de ver o filho superando seus obstáculos não tem preço. No mundo todo um dos meus melhores presente do Criador é, e sempre será você. Meu grande amor.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Avaliação

Sempre existe a necessidade de se avaliar a aprendizagem. Não com o intuito de quantificar e excluir, mas de averiguar o que foi aprendido e o que precisa ser melhor trabalhado. Embora Paulo Freire já tenha dito e refletido sobre o tema, é sempre bom entender as possibilidades e novas perspectivas. Ontem O Lukesi esteve por aqui, em uma linda e gratificante palestra ele mostra como avaliar é relevante e como a ludicidade é importante para que o processo aconteça adequadamente.
Antes da palestra rolou um concerto com o filho de Elomar em homenagem aos 80 anos do pai.



Exposição do Sílvio. Canudos a terceira margem

Depois ainda teve a exposição do Sílvio que chegou de Paris colocando Canudos em destaque. Semana que vem Elomar se junta com Xangai e Geraldo Azevedo pra fazer aquele fechamento do ano que aprece não ter mais fim. E nas voltas que o mundo dá, confesso que não parei de imaginar que quem estava lá no palco era o pai do menino Maluquinho. Lukesi parece tanto com ele. Ou será só minha fértil imaginação?

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Clorofila

Quando menina, as árvores eram minhas companheiras de brincadeira, atrás da casa de minha mãe, havia um grande sítio com plantações de batata, algodão e muitas árvores frutíferas, minha cidade natal remete ao nome verde, cheio de clorofila. O tempo, a medida que passava elas iam rareando. Hoje a cidade só tem de verde o nome. Depois que de lá sai tive a sorte de morar agora em uma casa com árvores no quintal, meus filhos cresceram subindo nelas, comendo goiaba pendurado em seus galhos, colhendo caju e vendo o mundo cinza lá de cima.
Sempre gostei de ver o bordado que a sombra delas faz no chão quando o sol banha suas folhas de luz e elas fazem sobra no chão. O Tom Jobim disse que quando uma árvore é retirada daqui, ela nasce em outro lugar, que é lá nesse paraíso que ele gostaria de estar quando daqui partisse. É tom, o deus das árvores é uma árvore. Esses dias mandei fazer uma poda, isso por quê, os vizinhos estavam achando ruim alguns galhos caindo do lado de lar (não reclamam quando são goiabas). E tive que mandar podar.
As podas são necessárias desde sempre, sejam na vida humana quando as diversas situações da vida acabam podando sonhos e mutilando esperanças, mas é por causa das podas da vida que a gente aprende a florescer, e crescer novamente. Com as árvores não são diferentes. Chegando em casa, nos deparamos com um sol de quase verão queimando o solo, o verde havia sumido, não tem mais bordados no chão do quintal, o rapaz fez uma poda drástica, eu não tava em casa pra orientar, então não posso reclamar.
E os meninos ficaram chateados, não gostaram da falta de sombra, nos sentimos desprotegidos, nossas guardiãs foram mutiladas, mas a esperança é que logo teremos folhas novas, verdes, fazendo novos bordados, novas flores, pois as podas sejam elas drásticas ou não, fazem renovar as energias. E nas voltas que o mundo dá, sabemos que o verde voltará, que a esperança nunca morre, e a clorofila é o grande elemento mágico que nos fornecerá em breve novas oportunidades de crescimento. E tenho certeza que o Tom também se sentia protegido perto delas.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A carta

Carta é uma coisa antiga, e linda. As cartas de amor são escritas para serem lidas, guardadas, cheiradas, relidas, amadas. Vi o filme Minha amada imortal, nele Beethoven ao morrer deixa uma carta para uma mulher desconhecida e seu amigo parte em busca dessa pessoa, no decorrer do filme, se ver a história da vida dele, a infância sofrida com um pai violento e os seus transtornos de personalidade, sua bipolaridade e sua genialidade musical.
No livro "Origem" de Dan Brown, ele fala que Beethoven ao ficar surdo descobriu que podia fixar uma haste de metal ao piano e mordê-la enquanto tocava, assim podia sentir a vibração do som no osso do maxilar, uma tecnologia que agora está sendo utilizada em alguns fones de ouvido que não precisa de fios e o som vai direto para o cérebro sem passar pela audição, como se uma voz estivesse na cabeça da pessoa, influenciando seus pensamentos.


Ele, assim como Vincent Van Gogh, teve sua amada, seu amor não correspondido e que foi a musa inspiradora de suas artes, um na música e outro na pintura, ambos. A carta do Beethoven foi leiloada e hoje está na Alemanha num museu, as obras de Van Gogh estão pelo mundo valendo centena de dólares, mas a dor do amor perdido eles não superaram.
E nas voltas que o mundo dá, as cartas continuam sendo memórias de histórias lindas, muitas vezes dolorosas, mas que graça a vida teria sem amor? Para esses dois mesmo não sendo vivido, foi fonte de inspiração a alívio para suas dores da alma. Ah, Beethoven, se tu soubesse como tuas músicas já me fizeram sonhar, liberar meus pensamentos quando fico largada no chão, sentido a vibração das ondas sonoras de suas músicas envolvendo todos os músculos e ossos meus em momentos mágicos que adoro compartilhar comigo!

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Costume

Dizem que o hábito faz o monge, acho que é por aí, é praticando que se chega a perfeição, já dizia Aristóteles. Porém, o costume é um negócio complicado, tem gente que se acostuma a não olhar pela janela, a ter o trabalho como único foco e assim não enxergar as lindezas da vida. Eu me acostumei a muita coisa. Me acostumei a algumas ausências que hoje já não são tão caras, mas passei a ter o hábito de ver o mundo como quem olha por lentes coloridas, e gosto tanto disso.

 
Cerveja de sabor marcante e por quê o verão tá chegando

E nas voltas que o mundo dá, se for por hábito (costume, prática, rotinas) eu quero continuar acostumada com os cafunés, com o dengo inesperado, aquela palavra de conforto nas horas mais necessárias, e, sobretudo, aquela motivação quando diz que estão maravilhosamente linda, mesmo eu sabendo que estou descabelada e fantasiada de urso panda com olheiras enormes. E a gente comemora em qualquer lugar em qualquer dia da semana.

sábado, 25 de novembro de 2017

Odisseia

Homero escreveu a Odisseia, onde Ulisses que tinha o amor de Penélope e na tranquilidade de sua casa uma cama feita com um tronco de árvore fixo no chão, foi retirado de seu lar para a luta em Troia, odiado por Poseidon, vagou no mar por anos a fio, mas conseguiu retornar a sua amada Ítaca e por fim, vivem felizes para sempre. O mar em fúria sempre formou grandes marinheiros, não fosse a coragem de encarar o mar revolto o mundo não teria conhecido os grandes navegantes que mudaram a sua formação política e geográfica.
Algumas viagens são necessárias, muitas são as odisseias que passamos, onde o mar em fúria são as diversidades da vida. A psicanalise explica que somos viajantes, mesmo quando não saímos do lugar, pois algumas viagens são interiores. Esses dias tenho viajado por mares nunca navegados, descobrindo novos sabores na minha mesa agora meio limitada de produtos, mas com a chegada de novas informações, novos temperos, são novas aventuras diárias. As dores que me foram companheiras por anos agora não me são mais presentes de vida. E as noites são de sono tranquilo sem pesadelos.
E nas voltas que o mundo dá, eu que não sou Ulisses, retornei a paz de noites tranquilas e plenas de viver sem dor e descobrir novos sabores, venci uma odisseia em particular e voltei a minha Ítaca desejada. E tudo isso, graças aos conhecimentos do Hércules, que não é um semideus grego, mas me forneceu os trabalhos que deveria desempenhar com afinco. E venci mais um desafio que não me foi dado por Poseidon.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Esclarecendo

Sou quarentona sim, tudo em mim é original de fabrica, agora sem glúten e sem lactose não minto minha idade tenho 45, gosto dessa fase da vida, gosto de namorar dia sim e outro também, e sim gosto de homem, gosto tanto que fiz dois meninos e até meus cães são do gênero masculino. Gosto de ser magra e ter cabelos negros e por isso mesmo não mudo de cor. Gosto de defender minhas opiniões, fui criada por uma mulher, sou filha de mulher cresci no meio de muitas mulheres e não tenho medo de mulher.

Eu modelando

Tenho personalidade forte sim, respeito a diversidade e levanto a bandeira dos LGBT, da não violência contra qualquer tipo de vida e sou a favor das mulheres terem o direito de fazerem do seu corpo o que quiserem assim como os homens também, afinal o corpo é deles não meu. Defendo os direitos iguais entre as pessoas e minha lei é o amor. Gosto de todas as religiões, todas as formas de solidariedade. Não confio em gente que os meus cães não se aproximam ou cheiram e não gostam. Gosto da liberdade dos gatos e tenho duas em minha casa.
Agora, se lutar contra as desigualdades e a ignorância das pessoas, querer um mundo mais justo e igualitário, é ser comunista eu sou comunista, se querer igualdade entre as mulheres é ser feminista, sim, eu sou feminista, se levantar a bandeira LGBT, é ser petista, eu sou petista. Me rotule como quiser, pois a sua opinião é sua, e diz respeito somente a  você.
E nas voltas que o mundo dá, vamos de Raul, o cabeludo maluco beleza mais legal do mundo: "O homem tem direito de viver como ele quiser, de beber o que ele quiser, de fumar o que ele quiser, de morrer como ele quiser". Viva Raul.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Azul

Quando te vi pela primeira vez, me apaixonei, me senti pequena, e até hoje você é um gigante pra mim, nos dias de sol, sinto ainda mais a sua falta, mas quando te encontro, e seus braços envolvem meu corpo, são com se todas as dores do mundo se fossem, e eu fico ali sentindo o seu cheiro, seu gosto e seus carinhos quando envolvem as minhas pernas. Não sinto em outro lugar o conforto que você me proporciona e por isso tantas vezes quando careço de teus agrados e carinhos corro pra teu encontro sem pestanejar.

O mar de Coroa vermelha

E nas voltas que o mundo dá, esse fim de semana irei te encontrar outra vez, por quê seu cheiro e sua beleza me ilumina a alma, recarrega minhas baterias, e em breve vou morar perto de você, esse mar azul, lindo é a perfeição do criador. Minha fonte de energia revigorante. E perto de você tudo fica mais lindo e azul.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Historiando

No ensino fundamental tive uma professora de geografia e outra de História que me ensinaram muito das disciplinas, mas muito mais sobre a vida. Marilda era de história e Nalta Cardoso de geografia, nunca esqueci nenhuma delas. Nalta eu não perdia aula por que a achava muito elegante com aquele cigarro na ponta dos dedos e seu jeito sofisticado de falar. Marilda por me levar a lugares longínquos e fantásticos como a Idade Média, o Egito Antigo e essas coisas. Marilda era minha vizinha e nos finais de ano eu sempre ia ajudar a fazer os bolos do natal. Não tenho mais noticias das duas tem tempo, mas nuca as esquecerei. 
Ser professor como tanto falou Freire é ser mediador do conhecimento, é aprendendo que se ensina e se ensina enquanto aprende assim falou o mestre que era da área do direito e migrou para a educação brilhantemente como o maior educador do Brasil e o terceiro mais citado no mundo em trabalhos científicos. Eu não sou historiadora, nem geografa,  sou agrônoma, bióloga, esteticista, especialista em meio ambiente e psicopedagogia, mas hoje estou como professora de história da arquitetura, não tenho a elegância da Nalta , nem ando com o cigarro na ponta dos dedos como ela, nem de longe sou como a Marilda nem o Paulo Freire, mas como uma semeadora de informações, hoje vi uma mensagem de dias atrás e percebo que a semente tem germinado.

Essa minha ex-aluna que é advogada e agora terminando arquitetura, mostrou-me que já valeu a pena seguir esse caminho, pois a mudança começa com a percepção de mundo. E nas voltas que o mundo dá, aprender a história tem se tornado uma das minhas alegrias, levo os alunos para cidades e vivenciar novas experiências, pois como disse meu querido Freire "Leitura de mundo precede a palavra" (Desconfio que Freire é o mias citados pelo menos por mim).

sábado, 18 de novembro de 2017

Dor

Depois de dias sem livrar-me de dores insuportáveis que me causaram perdas de tempo e de vida, resolvi buscar ajuda profissional. No consultório, uma senhora que queria contar a vida dela, acho que no intuito de ser beatificada ou santificada, passou a debulhar suas desgraças pra todo mundo da sala de espera ouvir, já estava eu ficando doente e depressiva só de ouvir tanta desgraça numa vida só. Sai pra tomar um ventinho e ver a vida correndo lá fora.
Depois da consulta, o médico me diagnostica com fibromialgia, e saio de lá muito chateada. Como não bastasse sofrer de enxaqueca a vida toda, agora as dores estão fazendo um passeio pelo corpo (ninguém merece). Resolvi levar meus olhos vagabundos para um passeio digerir aquelas informações e pensando a respeito de um novo estilo de vida, modismo ou necessidade és a questão, ah, desculpa ai Shakespeare o trocadilho, é que tá complicado a coisa pro meu lado.
Passando pela avenida principal tem um grande outdoor que diz. "Você pode viver sem dor, isso é possível". Não sei se ria ou se chorava. Então vamos pra diagnosticar outras coisinhas. Depois de uma bateria de exames, descubro que tenho intolerância a lactose e ao tal famigerado gluten.
Resultado: Estou ferrada. Começo uma dieta sem essas coisinhas que representam uma quantidade imensa de alimentos que passam a ser persona non grata, na minha mesa e descubro que existem outros alimentos que possuem "contaminação cruzada", ou seja estou ferrada outra vez. Mas vamos lá, paciência tudo tem um lado bom, penso eu.
E nas voltas que o mundo dá, tenho passado mais tempo lendo rótulos no mercado quando faço feira do que de costume, a galera daqui de casa, tem entrado na minha dieta de boa, o que dá um UP na motivação. E minhas dores se mudaram desse corpo que agora é ainda mais magro, leve, e livre de toxinas, até a mal amada enxaqueca se deu ao luxo de me libertar de sua desgastante companhia. Por hora vamos levando a vida como ela quer. Por que como disse o marketing da avenida principal, viver sem dor é possível. Só precisa perseverar.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Nove

Nove é um número expressivo, segundo a  numerologia ele representa o final de um ciclo e o começo de outro. E mais um tanto de outras coisas. Novembro é o nono mês do ano, foi num dia nove que eu nasci, eram nos novembros que se rezava as novenas na terrinha, eram nos novembros que a gente esperava pra o natal. Confesso que nunca parei pra entender esse negócio de numerologia, aliás não tenho mais me interessado por muita coisa.
Todavia, foi em um novembro que perdi meu grande amor, aquele que me gerou e me formou a pessoa que sou, foi num novembro que presenciei as maiores dores de perda que um ser vivo pode sentir. Esse mês então se tornou aquele que deveria ser deixado de fora do calendário, mas ele insiste em gritar "Estou aqui". Com o passar dos anos aprendi a deixar a dor sangrar, até não ter mais nada pra expor. Aprendi a recomeçar novamente e novamente. E se hoje não der, amanhã eu tento outra vez, como cantou Raul Seixas.
E nas voltas que o mundo dá, já se passaram cinco anos sem vocês fisicamente, mas tão presente em minha vida. E hoje não é mais doloroso como antes, você são as maiores alegrias que já tive, e quando lembro de vocês meus olhos se fecham e meu riso se abre com as lembranças mais sublimes que me alegram o coração. A saudade virou lembrança boa. E eu gosto desse novo ciclo, seja nove, seja novembro, seja amor sempre. Lembranças mãe, lembranças Pascoal.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Alpargatas

Na década de 1930, Raimundo Veloso, um cearense de Nova Olinda que costurava sandálias de couro se deparou com um forasteiro que viera das bandas de Pernambuco e lhes encomendou algumas alpargatas de solado irregular, sem se identificar, um mês depois ao voltar para pegar a encomenda se apresentou, era ninguém menos que Lampião, com esse tipo de calçado Lampião podia enganar os policiais e quem mais o procurasse pela caatinga desse nordeste a fora. O filho de Raimundo, Expedito Veloso, adotou o oficio de seu pai e passou a fabricar as alpargatas e criou inclusive uma marca. Sua arte ganhou o mundo, e hoje os modelos mais encomendados são os Maria Bonita e Lambião, modelagem inspirada no cangaço. 
Hoje Expedito fica com a parte da criação, são seus filhos, noras, netos e genros que trabalham juntos na sua associação no Ceará. Cada leva de 30 alpargatas demandam 15 dias de mão de obra.

Expedito veloso

Meu exemplar do Expedito

Esses dias, passando pelas terras pernambucanas, tive uma agradável surpresa. Encontrei na loja de seu Luiz, logo ali perto do marco zero, um exemplar das alpargatas do Expedito. Disse ele ser o único, estavam esperando nova remessa, e eu respondi, é do meu número, estava a esperar por mim. Logo que me virei, ela estava embrulhada em um saco de papel e amarrado com um barbante de agave e um laço de chita. Presente de um aluno.
E nas voltas que o mundo dá, saí de Recife como quem canta a "feira de mangaio" , pois as alpargatas não queriam me levar.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Canudos a Fênix

A cidade de Canudos é uma das provas mais vivas que o poder pode mudar as pessoas, que a falta de respeito é uma das maiores atrocidades da humanidade. E tem tão pouca gente sabendo dela por aqui, mas lá fora na Europa eles conhecem mais a nossa história do que os brasileiros. Relendo o livro com outras perspectivas, vejo que o Euclides era mais um desse jornalistas que escreviam para a elite. Observando a história como ela foi e contada pelas pessoas que lá viveram e os relatos de sobreviventes (que foram pouquíssimos), Canudos não se entregou, ela foi assolada, tomada, violentada não apenas uma, mas duas vezes. na época de Conselheiro e depois com a construção da hidrelétrica. Assim como uma fênix, depois de assolada pelas cinzas ela foi afogada por uma represa. 
O artista Silvio Jessé resgatando essa história em sua arte assim com um colega escritor foram convidados a mostrar canudos e Conselheiro e sua epopeia na universidade de Sorbonne em Paris, e Conselheiro recebe os visitantes de forma magistral sob a ótica do Silvio.

Exposição do Sílvio Paris

E nas voltas que o mundo dá, enquanto uma leva significativa de brasileiros (que não frequentam museus e nem leem) saem por aí pichando muros, agredindo artistas, jogando pedras em museus, destroçando o conceito de arte. Nossos heróis, artistas perseverantes, recontam a história, não pela ótica do vencedor como é de costume e apresenta para o mundo que as recebe com cara de espanto e consomem nossa cultura com olhares famintos, esbugalhados e curiosos. Silvio meu querido, estamos todos orgulhosos de você.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Cheiros e sabores

Os cheiros e sabores são as marcas mais gostosas de lembranças que guardamos. Por que como disse Galeano: "A memória só guarda o que é bom". Por isso minha bagagem sensorial tem crescido muito desde que me entendi por gente. Esses dias uma viagem ao passado e ao presente com cheiros e sabores. No caminho pra Pernambuco, logo veio o aroma da cana de açúcar, lembranças de férias para Alagoas, e na chegada em Porto de Galinhas, o imensurável, salgado e saboroso cheiro de mar.

Porto de galinhas

E o dia seguiu mágico para começar o roteiro pelas belezas desse mundão. Logo de cara veio um suco de caju, e meus olhos se fecharam, como se fosse um enólogo, cheirei naquele copo antes mesmo de desfrutar o sabor, o frescor de férias na casa da mãe, da coleta de caju no sítio de seu Cícero Galdino e no de minha mãe, e como o Herry Portter, minha cicatriz no pé, me lembrou dias de infância traquina. Inspirei naquele copo, o doce de Alzira e o primeiro gole desceu como quem toma o vinho mais caro do mundo. Por que só eu sei o valor de cada lembrança, e o poder de revigorar a mente e o corpo com doçuras de verão.
E nas voltas que o mundo dá, a gente conhece gente nova, faz viagens sensoriais, encontra almas antigas e a felicidade passa a ser a companheira mais doce a ser seguida. Por que guardar o que é bom não tem preço. Galeano, meu querido, estamos juntos.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Traição literária

Os livros do Dan Brown, são sempre com a mesma pegada, um professor que entra numa fria sem querer, uma mulher que passa a ser sua companheira nas aventuras, tudo muito igual, mas vamos combinar que as aventuras acontecem sempre em países diferentes, com uma pegada catastrófica e com história das artes e artistas diversos, em Inferno ele foi até a Turquia e depois volta para Itália onde tudo começou e vai fundo na poesia de Dante. Aliás Dante é o nome do rapaz gentil que sempre me avisa por mensagem quando tem novidades na LDM. Essa semana chegou mais um. Origem. E lá fui eu correndo buscar meu exemplar.
Tudo bem que já tinha o Boff  na frente e ainda não acabei o de Diana Cabaldon, mas eles podem esperar um pouco por que agora vou viajar com o Dan, nem sei ainda pra onde, mas estou ansiosa pra mais uma aventura com o professor Langdon. Desculpa aí Boff e Diana, é por pouco tempo.

Origem só meu.

Assim, nas noites recifense que se aproximam terei uma viagem a mais, pois durante o dia teremos passeios fantásticos para conhecer as histórias pernambucanas e suas paisagens com histórias do nosso Brasil. 
Davi do Brennand

E nas voltas que o mundo dá, vamos logo ver a réplica do Davi do Michelangelo que se encontra no Instituto Brennand, antes que o povo resolva vesti-lo, já imaginaram o Davi de calças jeans? Ou uma folha de parreira cobrindo-o? Então vamos logo, antes que as coisas mudem. E Dante, quando tiver novidades, não esqueça de mim.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Games

Ouvi e li já em muitos lugares a frase: "O que você fez com o que fizeram de você?". Dizem que é de Sartre, outros que é de Lacan, não tive tempo de procurar o dono dela, mas tá valendo. Bom, ainda não fiz, estou fazendo, ainda estou em construção. Nos tempos do meu colégio, haviam gincanas, sabatinas e um tanto de brincadeiras sem muita tecnologia e diria até sem muito preparo didático, mas aprendi muito com elas.
E continuo a aprender em coletividade. A Mariluce é uma dessas professoras que me lembram algumas que tive ao longo da vida. Agora, inspirada na série "Game of thrones" ela distribuiu alunos em casas e reinos para a realização de tarefas como construção de um elevador, de um barco que deveria ir pra piscina e navegar entre outras obras no "Game of obras", os jogos dos cursos de arquitetura e engenharia da faculdade. Ver aqueles jovens desenvolvendo projetos, realizando atividades com materiais recicláveis e torcendo pelos seus competidores, não tem preço. Só tenho a certeza que é brincando que se aprende.

O meu campeão

A equipe mais animada de orientadores da Bahia.

E a casa do Castelo negro até agora é campeã invicta, lá na frente. E nós continuamos, seja Lacan ou Sartre, construindo, futuros, alegrias, aprendizagem e fazendo o melhor com aquilo que fizeram não dá gente, mas com a gente. Por que somente nós temos o poder de escolher receber ou não o presente ou as ofensas da vida. E se ela nos der um limão algum dia? Ah, a gente acrescente açúcar e tequila e faz um saboroso brinde.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Visitas

Quando minhas crias eram pequenas, e eu ouvia cedo da manhã o zum, zum, zuuuummmm delas, avisava logo, temos visitas, e eles esperavam calmamente elas partirem para poderem voltar ao quintal, sempre foi assim. Quando elas chegam, o território é delas. Hoje eles cresceram, as alergias já foram vencidas, e elas parecem não se importar com a presença de nós, meros humanos, se deixam fotografar, tranquilamente. Ainda nem eram seis da manhã de hoje quando vieram visitar as flroes da goiabeira.

Abelha e flor

Flor da goiabeira

E nas voltas que o mundo dá, a gente tem beija flor e um monte de outros passarinhos, tem abelhas e outras visitinhas delicias todos os dias por causa delas, as amigas árvores festivas. E como disse o Chico: "Se soubesse como gosto de suas cheganças, você chegaria correndo todo dia". Fica mais um pouco primavera. Não se acanhe em se demorar.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Meu amigo Freud

A psicologia diz que para entender um adulto é preciso saber da sua infância, meu amigo Freud sabia disso como ninguém. Esse princípio se aplica aos peludos também. depois que meus filhos caninos chegaram minhas plantas foram dizimadas, esses dias resolvemos "reflorestar" os canteiros orientei eles, e por uns dias as plantinhas sobreviveram em paz, até que hoje tava tudo de raízes pro ar, e eles sabendo do que fizeram não vieram com o rabo abanando me dá bom dia. O Zeus tremia como se tivesse com frio e cara enfiada no chão, tava visivelmente com medo.

Paulo e Zeus (papo sério)

Fiquei triste, não pelas plantas, mas pela aflição que vi em seus olhos, pra quê tanto medo? Me sentei ao seu lado e conversei em tom calmo para que ele compreendesse que eu não estava chateada e o Paulo também. E logo, ele voltou a abanar a calda feliz. E nas voltas que o mundo dá, as plantinhas agora se limitam a vasos dentro de casa e na varanda, os temperos vão pra vasos na parede (ideia do Pedro) e o quintal volta a ser território dele, conquistado a patadas e funçanadas, quero infância feliz, seja para humanos ou para peludos. E Freud, o novo gatinho adotado ganhou um lar responsável. 

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Quitanda

Na minha antiga casa havia um jardim imenso, tinha um coqueiro, duas castanheiras e um monte de plantas de todos os tamanhos, depois do muro do quintal havia uma plantação de algodão, muitas árvores e barreiros, era lá que a gente enchia as fraudas que eram amarradas como se fossem barrigas pra gente encher de chumaços brancos, e quando se passava pela cabeceira dos leirões onde tinham pés de erva doce, todo mundo ficava cheiroso. A competição pra ter a barriga maior de algodão era pra comer doce de tomate selvagem colido por ali mesmo.
Os dedos cheios de verrugas por contar estrelas a noite eram salpicados de leite de avelós pra elas desaparecerem. Onde hoje fica a casa dos Caetanos haviam uma imensa laranjeira, era lá que a gente contava as histórias da noite anterior, tinha fruta o ano todo, ela era a minha amiga, e chorei quando a derrubaram, em noites de lua cheia a mãe das águas faziam os sapos cantarem e a gente ouvia histórias assombrosas. 
O tempo passou, a plantação deu lugar a um monte de casas, a cidade se expandiu e tudo se foi, coisas do progresso. Minhas crias vivenciaram coisas parecidas, quando o caçula foi passear no quintal da Carmita, o mar pra ele era tudo, os dragões verdes (boias) navegavam nas águas turbulentas, os cães com seus nomes peculiares faziam a festa.
No nosso quintal, o cajueiro já foi nave espacial, as goiabeiras pontos de observações de navios, as goiabas em meses de ventania bombardeavam o chão e os cães corriam, era a nossa versão de chuva de meteoros e os dinossauros eram eles correndo pra casinha em busca de abrigos. A vida é assim, uma quitanda, tem frutos imaginários, tem frutos doces colhidos nas árvores, tem flores brotando em dias primaveris e a gente vai desfrutando dessas delicias independente da idade cronológica. E nas voltas que o mundo dá, sinto saudades da laranjeira amiga dentre tantas outras que tivemos. E ontem plantamos uma nova no nosso universo particular, para substituir a que caiu na última ventania de agosto, também, como disse Mateus "a bichinha tava velhinha". Que bom que você chegou primavera!

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Antropomorfização

Hoje em dia, tem dia pra tudo, agora são dias coloridos, setembro foi amarelo, outubro é rosa, novembro é azul, mas outubro também é marrom. Tem o dia internacional de proteção aos animais. Desde muito tempo os humanos têm tratado dos animais com um certo desprezo, outros ainda acreditam que eles não têm alma, assim como acreditava-se (pasmem) que negros também não as tinha. Na França até havia um zoológico de humanos negros no início do século XX. Ainda bem que temos evoluindo, devagar, mas estamos em andamento. Agora tem um povo que cuida dos bichos como se fossem humanos.
Paracelso dizia que a diferença entre o veneno e o remédio é a dose. Hoje algumas pessoas estão praticando uma antropomorfização, ou seja, eles vestem seus animais e cuidam deles como se fossem humanos, esquecendo que diferente de nós eles possuem necessidades diferentes e isso em causado outro tipo de sofrimento aos peludos, em especial gatos e cães. Tem uma quantidade significativa de mulheres que vestem suas filhas com o mesmo modelito que elas, e saem por aí parecendo um par de jarros. Tem gosto pra tudo, mas vamos combinar que cada um tem de ter seus limites respeitados.

A dupla parada dura Suzy e Star

E nas voltas que o mundo dá, gatos gostam de ser gatos, cachorros gostam de ser cachorros, não se deve impor mudanças desconfortáveis para os peludos, cada um tem sua beleza peculiar sendo quem é. As minhas meninas, adoram ficar sobre a minha mesa de trabalho e eu gosto da companhia delas, afinal gatas á foram consideradas deusas no antigo Egito.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Ensinagem

Ontem na fila do pão encontrei uma amiga antiga, parece até que nem moramos na mesma cidade, tanto tempo já se passou até que nos vimos ontem, e na fila do pão da padaria. Quase não a reconheci, mudou muito sua fisionomia. Ela me pergunta como vão meus meninos e eu toda prosa mostro a foto deles no celular (coisas das modernidades), ela desapontada me conta que obrigou o mais velho dela a fazer direito, o rapaz se formou e depois entregou o diploma a ela, dizendo que ia cuidar dos bichos da roça da família que iria ser feliz a partir de agora. Fiquei sem saber o que dizer.
As profissões são como uma ordem religiosa, tem que gostar do que faz e saber fazer. Nunca obriguei os meus a nada, mas incentivo a serem o que quiserem e achei erroneamente que todos eram assim. As escolas devem ser capacitadas para oferecem assas e não serem gaiolas, é natural que cada uma criança ou adolescente tenham suas dúvidas, afinal são muitas opções para escolher. É como chegar numa sorveteria e ter opções diversas de sabores, leva tempo, mas um dia se descobre a fruta preferida, o sabor que mais agrada, cada um no seu tempo.
E nas voltas que o mundo dá, ser educador, não é só saber o processo de ensinagem, é permitir a descoberta de hipóteses, é problematizar suas ações, ampliando sua leitura de mundo e oferecendo asas pra que os passarinhos possam ter seu voo solo. É complicado, mas necessário e natural. Nada se muda com a força, mas ninguém adoece por falta de amor.

sábado, 14 de outubro de 2017

Shakespeaneando

Segundo o famoso escritor inglês, a grande questão da humanidade é ser ou não ser. Esses dias estando no meio do mato sentido o cheiro da terra e vendo a relação dos animais com o meio, fiquei me perguntando para onde caminha a humanidade? E de fato o que é ser humano? Acho que essas perguntas são pertinentes aos últimos acontecimentos pelo país. É tanta desalento, noticias ruins, gente matando em nome de Deus "Isso sempre existiu", mas quando é perto da gente fica mais forte, a intolerância tomando conta das pessoas. Não quero acreditar que isso é ser humano. Mas infelizmente só nós temos essas atitudes, os animais considerados selvagens não são assim.
E nas voltas que o mundo dá, meu caro Shakespeare, precisamos fazer uma caninização urgente, imagine se todos os humanos fossem como os cães? Leais, não sabem mentir e não fazem aos outros o que não querem que façam com eles, assim como a máxima pregada por Sócrates lá na Grécia Antiga. Como o mundo seria bom, e a gente teria tempo para admirar os ipês amarelos que brotam na primavera. Então a questão continua sendo a mesma. "Ser ou não ser?".

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Doce

Sabe aquele doce que a gente come e o mel escorre pelo canto da boca? Que a gente tem vontade de comer escondido pra não ter que dividir com ninguém? Pois é, assim era o doce de caju feito por Zirinha, uma das mais gostosas lembranças da infância que quando fecho os olhos sinto o cheiro e o gosto, e o que escorre pelo canto da boca é um sorriso de felicidade.
Com o tempo aprendi a fazer a receita dela, e a vida me deu de presente um cajueiro no quintal. Até hoje agradeço ao Criador e a quem o plantou para que eu pudesse desfrutar de suas delicias. Esses dias surgiram os primeiro, minguados e adocicados frutos, e não me fiz de rogada, preparei um doce pra lembrar e comemorar o dia da criança, alimentando a que mora em mim com delícias, que cada pedaço me proporciona, mas não preciso comer escondido, tem bastante pra dividir.

Foto da web. O meu não deu tempo fotografar.

E nas voltas que o mundo dá, sou grata pelo prazer de ter a receita dela, a árvore no quintal, e as lembranças que surgem cada vez que a guloseima cheira quando no fogo, ou quando fecho os olhos pra sentir o gosto doce de recordações que são tão minhas, que quero partilhar com os que quero bem. feliz dia do doce de caju, natural e orgânico.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Esperando

O Rubem Alves em seu livro do Do universo a jabuticaba disse que havia muito tempo que deixara  de participar de clubes, não queria pagar para ser sócio de nada. Como sempre o Rubem me parece sensato. Quando as crias eram crianças resolvemos participar de um clube para socialização, lá haviam muitas árvores, espaço aberto e claro, uma piscina pra dias quentes.
Dia das crianças era dia de festa, a meninada brincava e se divertia. Hoje as coisas são outras, e decidimos em comum acordo assim como o Rubem não pagar para ser sócio de nada, atitude compartilhada principalmente por Mateus incomodado com a frequente eliminação de árvores do clube da AABB. Aquelas que ele tanto curtia, subia e que agora vive nas fotografias e nas lembranças de dias alegres. Hoje assistimos a ausência de mais uma, nos últimos cinco anos já se foram dez. Nem ficamos por lá, deu dó de ver os olhos dele triste pela falta de sua antiga amiga.


Aqui havia uma árvore, agora areia e bolas enfeitando, lembrando uma sepultura.
Então, fomos ao templo do consumismo espairecer, e lá tivemos uma agradável surpresa, criança sendo criança, cantando Toquinho, pena que não sei como colocar o vídeo aqui, mas vale uma fotinha da Analu, linda e desinibida.

Analu cantando Aquarela de Toquinho

Ver criança cantando música de verdade, se vestindo como criança e não miniatura de adultos é tão bom! E nas voltas que o mundo dá, a gente segue esperando que a futura geração tenha um pouco mais de respeito pelo planeta, que é a nossa casa, e aprenda a ter em cada tempo suas belezas, pois a beleza está em tudo que se ver com simplicidade. Até mesmo em passeios socráticos.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

As margens

Ontem pegamos cedo a estrada. Mateus com sua mochila preparada para coletar e fotografar fungos, animais e plantas foi explorar o ambiente da roça, ficamos ali observando o rio e sua correnteza, lembrei que Heráclito disse que não se pode entrar duas vezes no mesmo rio, ele sabia do que falava, e naquela mansidão da mata onde só se ouvia o barulho da água correndo e o canto dos passarinhos, eu não fiz como paulo, o Coelho que as margens do rio sentou e chorou, mas vislumbrei as belezas que a natureza nos proporciona e agradeci ao Criador tanta lindeza.
O rio que sai do ventre da terra e corre em veias abertas cortando sua pele e irrigando o mundo trazendo vida, me fez pensar que assim como o rio, uma vida também brotou em meu ventre, e agora esta diante de mim, colhendo material biológico pra apresentar na escola. E vê-lo assim, disposto a entender o mundo me enche de alegria, irriga o meu ser, e ali fiquei um tempo deixando que o rio levasse consigo os meus devaneios.

A mata que esconde o rio

E nas voltas que o mundo dá, quero ser como a água que o Bruce Lee assegurou, me adaptar as mudanças de recipiente na espera que o Índio desça como uma estrela colorida e brilhante e ofereça ao mundo a capacidade de respeitar o meio ambiente e tudo que nos cerca.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Sabido, sábado, sabático

A pedagogia histórico crítica é um método pedagógico que favorece a aprendizagem a partir da problematização, é uma forma dialética de se trabalhar conteúdos. Saviani defende essa forma como sendo revolucionária e eficiente. Paulo Freire disse que a procura é o primeiro passo para a aprendizagem, pois não se pode aprender sem a curiosidade e o prazer da leitura. na Idade Média alguns pesquisadores tiravam um tempo para viajar, conhecer o mundo e registrar suas aventuras em livros didáticos, eram considerados anos sabáticos, sem o compromisso com nada se não pela descoberta das coisas.
No meu tempo de colégio não lembro de ter sábados letivos como ultimamente, mas tive um professor que via o mundo meio como Saviani e Freire, ele buscava instigar nos alunos o prazer de aprender, descobrir os conteúdos brincando. Em suas aulas as vezes organizava dinâmicas como uma sabatina. Era o melhor do dia, de uma lado ficavam as meninas, do outro os meninos e o professor Zezé no meio da sala orquestrando as perguntas, cada acerto era uma festa.
Daquela turma, mantenho amizades ainda com um tanto de gente, e a agora a pouco dias soube que um daqueles sabatinados, hoje é um menino sabido que foi eleito para a Academia de Letras de Campina Grande, lá na terrinha e vai ocupar a cadeira cujo patrono é outro esperancense, o poeta Silvino Olavo. Eita, Rau Ferreira, parabéns, manda ver.
E nas voltas que o mundo dá, tivemos sorte em ter pessoas tão talentosas como Zezé que nem sei se ainda vive, assim como outros professores que já praticavam a pedagogia da autonomia, da afetividade e histórico-crítica sem nem mesmo essas terem sido desenvolvida e disseminada. Eram dias sabáticos, mas não eram sábados, porém, todos sabidos.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Francisco

Ontem foi o dia dele, o rapaz que fez uma performasse pelado em praça pública em plena Idade Média, Francisco renegou a sua fortuna e foi viver com os animais e pregar o amor ao próximo, tentando fundar no coração humano uma pátria de amor e compreensão. Foi radical, não quis tratamento médico quando adoeceu, até os animais paravam ao seu redor para ouvir suas pregações. Ele revolucionou o mundo.
Outros Franciscos também vieram com missão semelhante, primeiro o Francisco Xavier, que tentou criar uma nação de entendimento, amor e tolerância, hoje temos outro Francisco que se tornou papa e visa pregar as palavras do primeiro, aquele da Idade Média, e tem sofrido também muitas ações medíocres por parte da igreja que ele pertence. O que todos eles têm em comum a pregação do amor, a abnegação aos prazeres terrenos e ao dinheiro, a fé inabalável em um deus que não condena, não mata e sua lei é única e exclusivamente o amor.

Francisco da caatinga. Obra do Sílvio Jessé

Infelizmente o mundo não mudou muito desde a Idade Média do primeiro Chico, ainda são muitos os animais vítimas de maus tratos, de todo tipo de violência, assim como os humanos entre si, até a arte agora é condenada com o cara que fez uma performasse no museu andando pelado. E nas voltas que o mundo dá, ainda precismos de muitos Franciscos, precisamos sair das trevas do julgamento alheio, o mundo precisa compreender que a única lei é a do amor. A Francisco quase nada mudou desde a última vez que estivesse por aqui.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Esperança

Gosto de caminhar, e levar meus olhos para vagarem pelas paisagens, mas há tanta degradação que o coração fica aflito. Ontem, observei uma área nobre da cidade onde já foi um bosque e hoje se encontra um verdadeiro cemitério de troncos. Dizem que os moradores reclamavam da falta de iluminação e do risco de assaltos. A solução encontrada pela prefeitura da atual gestão foi desmatar o bosque, que continua sem iluminação e o mesmo risco de assalto. Me pergunto onde vai nos levar a mentalidade humana.

Era uma vez um bosque no bairro recreio

Enquanto isso, a gente ver a futura geração sendo mais cuidadosa com os animais e o meio ambiente, e a esperança ressurge no coração. Mateus encontrou uma lagartixa machucada e resolveu cuidar dela até está pronta pra correr pelas paredes e as árvores, e logo mais a noite ela saiu pra goiabeira "viver a vida" como diz ele.

A nova amiga

Livre outra vez
E nas voltas que o mundo dá, a próxima geração fará a diferença, por que mais importante que o mundo que a gente deixa é a geração preparada que o mundo vai herdar.


sábado, 30 de setembro de 2017

Constelação

Um dia qualquer, uma xícara de chá, e o líquido perfumado e fumegante de cidreira me levou até você. Na fumaça aromática que a minha companheira exalava, cheguei  até aquela noite de primavera que o mar se mostrava tranquilo refletindo a luz da lua em escamas prateadas, dava pra ver pela janela, logo ali ao lado teu corpo adormecido mostrava as costas descobertas com pintas que pareciam uma constelação de estrelas tão minhas. Quando despertasse teu riso foi como o sol que tudo iluminou, e pareciam que todas as estrelas dançavam ciranda em meu ventre.
O riso fácil que escorrega pela boca e faz os olhos ficarem pequenos e apertados curiosamente especulando o espaço em volta. Tinha cheiro de mar, gosto de sal, cor de sol. Pernas que as minhas entrelaçaram a ponto de não saber mais onde eu começava e tu terminavas.
A primavera pra mim será sempre uma constelação de estrelas tatuadas em tuas costas, a briza marinha será sempre o teu cheiro, assim como as folhas de chá. E nas voltas que o mundo dá, foi nesse universo que você veio morar.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Dos encontros felizes

Dia desses em um desses na feira de Mucugê, fomos prestigiar os trabalhos do Silvio, amigo e colega de trabalho, uma dessas pessoas que a vida nos presenteia vez por outra. Com um talento perfeito para pintar, elegeu meu mais velho como um artista que não precisa de retorques. No meio do evento damos de cara com Zack, outro expoente só que dá poesia e das coisas do coração. E agora vamos pra uma nova empreitada, um estudo sobre Canudos, fiquei feliz com o covite, mas calma lá Silvio não sei se dou conta.

A nova versão de Sertões chegou

Zack e Sílvio artistas de mão cheia e coração transbordante.

Antônio Conselheiro obra do Sílvio
E nas voltas que o mundo dá, como disse Guimarães, as horinhas de descuido é quando a felicidade resolve dá o ar da graça. Feliz por tudo isso.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Das coisas grandiosas

Essa semana no congresso de meio ambiente, muitas novidades e inovações na área ambiental, coisas lindas de se ver. Pra chegar na linda Poços de Caldas, primeiro um passada por BH, e um turismo que ninguém é de ferro. Aí a gente dá de cara com uma ave linda pairando sobre a lagoa da Pampulha. E um dia de sol, para apreciar as belezas da praça da liberdade e suas fontes.

Pedro e Karol

Ave

Portinari

Praça da liberdade
No dia seguinte já em Poços de Caldas, a sudação ao astro rei logo cedo, com uma caminhada pra não perder o costume e não é que logo se tem companhia? Essa lindeza bem sentado nas pedras, resolveu descer de seu trono e mostrar o caminho aos caminhantes, seguiu a trilha toda.


Lá vai ele mostrando o caminho para os humanos
Em seguida o congresso tem início e a recepção é com a música "matança" de Xangai, gente de todos os estados do nordeste.


E nas voltas que o mundo dá, Paulo Freire sempre antenado e atual, nos lembra a boniteza de aprender a aprender um bocadinho de coisas novas todos os dias, fazem do mundo um lugar mais bonito. Pois, a leitura de mundo interfere na palavra.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Olhos fechados

Quando a gente fecha os olhos é de uma importância significativa, fechamos pra falar com Deus, para sentir o beijo da pessoa amada, quando lembramos do toque carinhoso do cafuné e o escorregar dos dedos nos cabelos. São com os olhos fechados que apreciamos os sabores da vida. Fecho meus olhos pra te enxergar melhor, pra sentir o toque dos teus dedos passeando sobre mim.
E nas voltas que o mundo dá, tem dias, e são tantos, que fechos os meus olhos pra te encontrar, por que como bem sabia Neruda " Desde então, sou porque tu és".
Então "Deixe que a vida faça contigo o que a primavera faz com as flores" (Neruda).

domingo, 24 de setembro de 2017

Flechas e bumerangues

Cresci ouvindo as pessoas dizerem que os filhos são criados para o mundo, quando li Gibran e ele disse que filhos são flechas, e que não são nossos até acreditei, mas confesso meu querido Gibran, agora que sou mãe de adulto e adolescente sem nunca deixar de ser filha, que você estava enganado em parte. Filhos são flechas que projetamos, mas não são do mundo, não os criei para o mundo, eles são meus, sempre voltarão para mim, são bumerangues, neles habitam um pedaço de mim, assim como em mim habita os gestos, informações, e lembranças da minha mãe, que passo para eles e assim se eternizam.
Sempre que precisarem voltarão para casa, eles têm raízes, mesmo com suas folhas ganhando o mundo, nas diversas estações da vida, possuem assas para voar para seus sonhos, mas possuem motivos para voltar. Meus filhos são meus, são minha genética, meu aprendizado e não pertencem ao mundo. É um pedaço de mim que anda fora do meu corpo. Corpo esse que foi sua primeira morada e que ofereceu seu primeiro alimento.
Hoje estou com a casa quase vazia, o meu mais velho foi ali em Minas voar em busca de um pedacinho de sonho, apresentar o trabalho que foi premiado em primeiro lugar, mas é pra casa que ele vai voltar, é por causa dos ensinamentos que teve, que tem, e terá, que será sempre bumerangue e não flecha. E nas voltas que o mundo dá, de longe mais uma vez aguardo seu retorno. Espero pra ver o riso largo, a felicidade de quem sabe pra onde vai e de onde vem, e meu coração permanece aos pulos tentando se acostumar que esses são pequenos voos, preparos para o voo solo, que não tardará muito. Espero assim mesmo meu bumerangue voltar ao lar. Saudades Peu.


sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Gratidão

As coisas mais lindas e mais alegres da vida são as mais simples. Na minha rua que já não existe mais, convivi com pessoas que sem saber ou querer plantaram flores em mim. Eloá com seus cabelos coloridos, hoje a vejo na juventude que anda pintando de cores exóticas como ela fazia há tantos anos, azul, verde, roxo, pra mim era uma alegria ver a cor do dia, nunca descobri como ela conseguia tal feito. As duas benzedeiras que rezava a meninada contra ventre caído e mal olhado, sem cobrar nada e ainda curava tristeza. Uma delicadeza só.
Tinha os idosos como pai Zezé e Biica, Dona Severina e seu Cícero, era quase como os avós da meninada que corria de bicicleta (era uma pra todo mundo), carrinhos de rolimã e dividia a sorda que Mauricio fazia com todo mundo. Tinha a bodega de Dona naninha onde a gente comprava pastilhas garoto e drops paquera. Hoje as ruas andam modificadas, o transito não permite esse tipo de convivência, as tecnologias modificaram as coisas, afinal, cada tempo seus modos.


E nas voltas que o mundo dá, a primavera chegou no calendário, embora ela more em mim, são tantas flores cheirosas de lembranças da rua amada que nada pode apagar, e as histórias vividas eternizadas, guardadas em gavetas que as vezes solta seus esporos quando a gente ver algo que nos remete a tempos passados, como a palmeira que já espalha o cheiro de primavera-verão com sua exuberante inflorescência lembrando os jardins de minha mãe e da casa de Gigi. Ontem vi que o jasmim manga está florido no meu quintal, suas folhas cheiram a manga rosa, suas cores chamativas, alegram o ambiente. Hoje sinto gratidão pelas flores que brotaram em mim. Obrigada povo, onde estiverem sejam felizes.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Ventos

Os ventos sopraram com tanta força ontem que pareciam cantar uma música estranha, as árvores se curvaram e as folhas encheram o chão de matéria morta. esse inverno está mesmo peculiar. Na noite fria e barulhenta, me peguei a observar o tempo e o vento. Lembrei das tempestades que já passei, das vezes que me curvei e deixei cair tudo que me causava peso e não servia mais. As vezes a vida é tempestade, e a gente precisa agir como árvores, assim a gente pode florescer outra vez.
Pensei que as coisas mais lindas, essas ficam no cerne de nossa existência e os lugares mais profundos e protegidos, eu te guardei. Nesse canto que recebe a luminosidade do sol, garanto sua segurança, e assim posso florescer quando a primavera chegar. E nas voltas que o mundo dá, o tempo mais bonito é hoje, o vento da mudança é sempre providencial, só precisamos  entender o poder das tempestades e nos curvarmos quando necessário, sem nunca quebrar até que ela se vá.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Aos pulos

Já disse antes e repito sempre, ser mãe de menino é viver com o coração aos pulos. O meu parece que não quer habitar meu corpo, quer sair por aí pinotando. O meu menino virou homem, não precisa de mim, mas mesmo assim continuo querendo saber se comeu bem, se dormiu legal, quero noticias quase que de tempo integral. Por quê sou assim mesmo, pegajosa grude, quente. Por quê né? Vou deixar pra ser fria, desligada quando morrer.

Pedro
E nas voltas que o mundo dá, é esse sorriso lindo que eu quero ver no seu rosto todos os dias. É essa irmandade, cumplicidade que vejo nessa dupla dinâmica que são minhas crias, e que me fazem ter o coração aos pulos todos os dias. Afinal, sem coração saltitante e sem borboletas na barriga, que graça teria viver?

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Mais uma pra coleção

Ser mãe de menino é viver com o coração pulando pra fora da boca e empurrando com o dedo pra dentro pra ele voltar pra o lugar. O meu caçula sempre foi aventureiro e gosta de explorar coisas e cantos, nunca vi ter medo de bichos. E sempre trás um animal abandonado pra casa quando encontra na rua, dia desses foi um gato, sorte que conseguimos um lar responsável pra ele, mas mesmo assim ele vista pra saber se o animal está sendo bem cuidado.
Esse fim de semana foi resgatar um gato em cima de uma árvore, se desequilibrou e caiu, resultado ao chegar do trabalho o encontro com dores, no hospital o resultado, uma costela trincada, "sorte que não quebrou né mãe?", Me diz ele. E ficamos um tempo no SAMUR pra ele tomar medicação e cuidar da trincada que o fez sentir dores ao respirar. Uffa.

Mateus no hospital
É foi sorte não ter quebrado, mas é uma história a mais pra contar, um resgate bem sucedido, e mais uma vez meu coração salta aos pulos com as suas aventuras. E nas voltas que o mundo dá, ter uma pessoinha que pensa mais no outro que nele mesmo, as vezes me deixa numa gastura só.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Leitura de mundo

Paulo Freire disse que a leitura de mundo depende da leitura que se tem guardada em si. Eita Paulo arretado! Esses dias estão complicados, um inverno que não acaba nunca, desde abril que chove e faz frio com temperaturas baixas, já está aborrecendo. Os acontecimentos que a gente ver por aí, são calamitosos, é gente querendo censurar a arte, dando opinião onde não é solicitado, é terreiro de candomblé sendo invadido e derrubado, uma intolerância as diferenças assustadora. 
De uns tempos pra cá tenho preferido meu casulo, não sei se as pessoas mudaram ou apenas se rebelaram, mas prefiro não conhecer gente nova, elas são tão iguais em suas que parecem velhas conhecidas. A leitura de mundo desse povo só prova a falta de respeito e de leitura própria, de história, de filosofia, de tanta coisa que as vezes entristece, mas como já disseram que nada é para sempre. Ainda confio na Esperança esquecida da Pandora.
Tenho fome da primavera e suas árvores floridas, parece que nessa época a natureza melhora um pouco os ânimos do povo, pelo menos espero por isso. Essa semana recebi novos livros de presente surpresa, a lista só cresce, o tempo anda curto, mas a viagem por linhas de diferentes concepções de mundo é tão boa que se pudesse Paulo, te traria para gente bater um papo sobre as novidades por aqui, apesar de tudo ainda tem coisas boas. E nas voltas que o mundo dá, aguardo pela primavera como quem espera aquele amor que vai chegar.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Para isso

O Mia Couto disse que: "O paraíso não é um lugar, mas um breve momento que conquistamos".. Ler seus escritos é embarcar em viagens nossas pelas assas dele. Quem nunca teve aquele momento em que queria que o mundo parasse, que nada mais existisse se não aquele breve momento? Quantos foram os beijos demorados que a gente queria que se eternizasse? Ah, mia meu querido, são tantos paraísos que temos que nem sempre nos damos conta deles.
Tem coisas na vida que servem só para isso, serem eternizados, aquele sorriso no canto da boca com um olhar que dispensam palavras, só quem tem a cumplicidade do outro sabe do que se trata. São segredos revelados para os iniciados no ato amoroso que se eterniza nesse efêmero espaço de tempo. E eu sou grata por ter tantos paraísos que acho que a gente vive para isso. E nas voltas que o mundo dá, viver no paraíso é pra agora, é pra já. Pois, é pra isso que se vive, eternizar os efêmeros. 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Civismo

Existiu um tempo onde se desfilar no dia sete de setembro era uma honra. Me lembro que em dias como o de hoje, havia lanche especial pra todo mundo, tinha uma preparação com as representações e roupas que eram feitas com antecedência para que a gente pudesse desfilar pela cidade, tinha uma série de ensaios dias antes pra ninguém fazer feio. Na escola a gente sempre cantava o hino nacional, tinha que saber de cor, e a bandeira era estiada, havia um certo orgulho de ser brasileiro.

Eu, só não sei o ano

Hoje os tempos são outros, quase ninguém sabe cantar o hino nacional, a história foi violentada, esquecida e o civismo já não é tão importante, os exemplos dos políticos atuais nos deixam com vergonha do nosso povo e do mundo que nos ver com olhos de malicia, as escolas já nem fazem mais desfile como antes, cadê o brilho do orgulho nacional? Com tantos escândalos fica complicado ensinar as nossas crias o que é ter orgulho de um país que é constantemente violentado por aqueles que deveriam ser nossos defensores. E nas voltas que o mundo dá, hoje não vejo lá muita coisa pra comemorar, mas muito a ser trabalhado nas escolas e nos lares, a criação e revitalização dos valores que foram perdidos. Desculpa Brasil, mas você é um gigante que precisa acordar urgente.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Chegou

Gosto tanto dos setembros, foi em um setembro que o mundo se mostrou diferente pra mim, desde então passei a querer um bem maior a esse mês que me trás as primaveras, os ipês floridos, que trouxe o presente mais sublime da minha vida um amor imensurável que mudou meu minha leitura de mundo, tornando-o mais colorido. É esse o mês que começa a aquecer os dias para a chegada do verão. E remexendo os achados encontrei uma linda lembrança. É essa a gaveta de saudades presentes que gosto de abrir, pois elas se tornaram lembranças boas.
Flor de pitanga

Flor de morangos

Morangos chegando

Os meus setembros têm mais chegadas que partidas, tem mais comemorações que despedidas é o mês preferido. É tempo de florada do jasmim que perfuma o quintal e foi presente dela pra mim, é comemoração da vida que aflorou em meu ventre prestes a chegada da primavera, das cores vibrantes das espatódeas e de sol brilhante e céu azul. Tem flores chegando por todos os lados. E nas voltas que o mundo dá, seja bem vindo seu lindo, cheiroso e colorido, vibrante e feliz. Se demore se quiser.