quarta-feira, 19 de julho de 2017

Quentura

Existem dias frios que a gente sofre um pouco aqueles sintomas de lonjura. O Djavan disse que é nesses dias que a gente tem que arrumar um bom lugar para ler um livro. Na minha cidade natal os dias frios não eram assim tããão frios, e ainda tinha a casa da avó com fogão de lenha que aquecia a cozinha, cheirinho de café torrado em casa, chá de hortelã colhido logo ali no quintal e biscoitos de canela. Dona Joana era um mulher que gostava de ver os netos e netas de barriga cheia. Eu magrela sempre ganhava mais.
Esse ano o inverno chegou castigando parece até que os ossos vão trincar, a umidade tem contribuído para que a sensação térmica fique ainda mais fria. Nesses dias eu sofro de lonjura, aquela sensação de que o tempo corre pelas mãos como a massa do pão que a gente insiste em apertar. Os chimangos, eu desisti de aprender a fazer, mas um pão de batata dá pra ser feito. Não tem fogão a lenha, mas o forno ligado ajuda a aquecer as noites frias de inverno conquistense.
E nessas noites frias, a gente abre um vinho, as crias enchem as canecas de chocolate quente e a gente se ajeita perto do forno que cozinha o pão, pra gente comer com a manteiga derretendo sobre ele. Tem aquele queijinho derretido que a casquinha crocante tem que ter pra todo mundo.
E nas voltas que o mundo dá, mudam as estações, mudam os alimentos e o fogão, mas aquele cheirinho de comida gostosa, o aconchego que o frio insiste em fazer a gente aproveitar a deixa pra ficar perto das crias e encher a pança, ah, essa é a melhor parte do inverno. E Djavan, meu querido, o  livro fica pra depois.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

TDAH

Ontem foi o dia dedicado as pessoas que possuem Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade ou TDAH. Existem pessoas que não conseguem amarrar cadarços, ou fazer recortes e dobraduras, pelo simples fato de não desenvolver a coordenação motora fina, (muitos filósofos e pensadores eram assim), que demoram muito tempo para processar uma informação pelo simples fato dessa informação não ser de seu interesse. A cabeça dessas pessoas funciona com um guarda roupas desarrumado, onde cada peça que precisa encontrar, não está nas gavetas e por isso demanda tempo para encontrar.
O deficit de atenção se caracteriza pela capacidade de ouvir e ver muitas coisas ao mesmo tempo, ao invés de concentrar em apenas uma coisa de cada vez. Era uma característica humana muito importante quando o homem vivia na caverna e precisava está atento a tudo ao seu redor, como predadores, ou presas, ou ao tempo e ao ambiente. Hoje se tornou uma desvantagem.
É preciso que os educadores sejam conscientizados que cada uma pessoa possui suas necessidades diferenciadas, não se pode avaliar as habilidades de um peixe quando ele estiver fora do seu habitat. Tem alguns anos que convivo com uma pessoa assim, aprendi muito e fico triste quando vejo pessoas que desconhecem esse problema e avaliam crianças da mesma forma padronizada. Rotulando criticando. A necessidade de conscientização e sensibilização da sociedade sobre mais esse processo de saúde é muito importante, mas educadores e familiares devem sempre está atentos.
E nas voltas que o mundo dá, é mais fácil julgar quando não se tem conhecimento. Então antes de julgar se uma criança é mimada ou traquina simplesmente, lembre-se há pessoas com necessidades diferenciadas, e elas são muito sensíveis. É preciso segurança e firmeza no trato com elas, mas sem nunca faltar delicadeza, pois mais importante que o volume da fala, é o argumento a ser usado.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Nublado

Os tempos estão tenebrosos, as noticias que surgem em todos os cantos não são confortáveis, e pra variar o frio e a chuva intermitentes acabam dando a sensação de abandono, de mofo, de descuido. Assim como Galeano, eu também "tenho saudades de um país que ainda não existe no mapa".

terça-feira, 11 de julho de 2017

Invernou

O sol apareceu tímido e logo se foi, o inverno chegou com suas noites longas e frias, as temperaturas desse em especial estão muito mais baixas que de costume, mas a gente vai levando. É no inverno que completamos uma nova idade, eu e o Mateus, é no inverno que aprendemos a conviver com as nossas saudades, e julho é um mês assim, sei lá. No quintal as plantas se acomodam, se curvam com o vento agradecendo ao criador pela dádiva das águas que já encheram nossa barragem com sua capacidade máxima. Inverno é bom.
São nessas noites frias que a gente se acomoda perto dos que queremos bem, tem caldos quentes, café pra dá energia, e a cozinha se torna o lugar mais legal da casa. O meu jasmim é um menino sonhador, mesmo quando todas as outras plantas perdem suas folhas com a ventania, ele se mostra novamente florido, desafiando o tempo, e mostrando que a vontade de viver é maior que as adversidades, ele tem medo de morrer. É como se ver nas palavras de Alberto Camus: “No meio do Inverno eu finalmente aprendi que havia dentro de mim um verão invencível.” O jasmim é assim, e foi presente da mãe, ela que plantou, parece que está ali presente.
E nas voltas que o mundo dá, a vida segue com suas estações dentro e fora de cada um. Feliz inverno, mas com saudades da primavera.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Explorando

Julho chegou e com ele o frio de seis graus e uma sensação de está no congelador. Dizem que é o mais frio inverno em 45 anos na cidade, unf. Hoje o sol apareceu só pra iluminar, depois de um fim de semana chuvoso. Aproveitei a ocasião e fui explorar a cidade com o Pedro, passeio que já não fazíamos tem um tempo. Então fomos de pé pelo centro, depois, fizemos sua matricula no francês para o semestre que logo começa. Nessas idas e vindas por uma rua e outra descobrimos uma loja tão gostosa quanto linda. Os mimos começam pelas embalagens, são doces e queijos artesanais lá das bandas das Minas Gerais. Um charme.

Doces do empório.

Em casa, os cães estavam num alvoroço só, levamos para um passeio, o Zeus arrumou uma paquera e a gente foi fazer uma visita pra moça que será em breve minha nora. De tão feliz se empolgou e me jogou no chão. Se vocês querem saber o que é ser o centro das atenções, é só tomar um baque na rua, e se for levada pelo seu filho canino então. Eita.
E nas voltas que o mundo dá, já dizia o Guimarães, aquele que tem nome de rosa e suas frases são sempre cheirosas: "A felicidade se acha é em horinhas de descuido". Ah, meu querido, também está em tombos caninos em pleno passeio de fim de tarde, lembrei dos joelhos ralados da infância, dos ardidos do mertiolate, mas hoje ele nem arde mais. E pra finalizar tem doce de manga e banana lá do empório pra comemorar o namoro de Zeus.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Fogueira

As fogueiras eram usadas pelos primitivos como forma de se aquecer, cozinhar alimentos e se proteger das feras, nas antigas religiões eram usadas em celebração pelo solstício de verão na Europa, os cultos pagãs eram rituais de fertilidade, também haviam sacrifícios de animais para afastar a esterilidade de humanos e animais. 
Quando Isabel estava pra ter o João Batista usou uma fogueira pra anunciar a Maria sua prima, a chegada do que iria preparar o caminho do Salvador. Então o cristianismo fez o que sempre soube fazer de melhor, transformar festividades pagãs em religiosas. Em Portugal, as comemorações se estenderam também aos santos Antônio que nasceu em Portugal, mas morreu na Itália em 13 de junho de 1195, e a de São Pedro que ocorreu em 29 de junho.

Pula a fogueira Iaiá...

Com a colonização e evangelização dos índios e escravos do Brasil colonial, as festividades forma se ampliando, ganhando adeptos e hoje é consolidada com a maior, mais bela e mais animada festa que também comemora a fertilidade, a colheita e a chegada do inverno por aqui.
E nas voltas que o mundo dá, a nossa festa é acolhedora, animada, não precisa de convite, as pessoas chegam, se aninham na beirada da fogueira, pulam, viram compadres, danças um ritmo só nosso e é uma festa única no mundo. Feliz junho pra todo mundo.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Cheganças

Um dia a gente esquece a senha das coisas e elas ficam ali paradas, um dia a gente acha e elas chegam. E chegou o inverno frio e trazendo com ele os cheiros do São João, a saudade de outros tempos e as perspectivas de outras auroras. Impossível não lembrar da cada de tio Paizinho, das pamonhadas na casa da mãe. Aí a gente vai pra cozinha e perfuma a casa com canela, gengibre, milho verde e conta histórias na beira da fogueira.

O meu estandarte que a Terezinha fez ficou lindo 

E agora tem uma vizinha linda de pouco mais de três anos que vibra com as gatas e os cães daqui de casa, a Sara. E chegaram coisas boas, chuvinha fina, as crias crescendo, o mundo girando e a vida acontecendo. E nas voltas que o mundo dá, gosto tanto de cheganças que até o inverno é bem vindo promovendo narizes frios e abraços longos e apertados.